A mulher refletia há alguns minutos. Parada ela olhava para cima, logo depois descia, avaliava seu sapato novo, seu jeans que acabara de sair da loja. Sua vida havia mudado. Era nisso que pensava. Sem dúvida essas eleições foram as que deram os melhores frutos a ela. Lembrava da cesta básica, da TV - que não era 29 polegadas, mas podia transmitir a novela – havia também a bicicleta de seu filho, o emprego de sua filha. Junto a isso o liquidificador, as prestações atrasadas da geladeira nova, as contas pagas. Ela sorriu ao lembrar das onze coisas que conseguira arrancar de onze, dos doze candidatos a vereador de sua cidade.
Dona Maria, como era conhecida em seu bairro, era uma mulher honesta, trabalhava de doméstica para poder sustentar seus nove filhos. Filhos que colaboraram muito na conquista de todos esses presentes acima. A mulher estava feliz com tudo isso, mas algo a incomodava muito: o décimo segundo candidato, esse não a subornou. Bem que ela havia tentado, foi em sua casa, expôs os 11 votos que ele conseguiria se desse a ela um fogão novo, mas nada. Sem desistir diminuiu a exigência, o gás do mês, isso ele não poderia negar, porém o homem recusou novamente. Irritada, a mulher se pôs a xingar, armou um barraco, sentiu-se ofendida, não adiantou. Ela pensava nisso, ali, de frente para aquela máquina com teclas de 0 a 9, com um “confirma”, um “corrige” e um “branco”.
Mudando o apoio de uma perna para outra, a mulher, voltou ao passado, bem antes de ter se vendido a políticos inescrupulosos e normais. Ela lembrou de sua vida sofrida, da fome de seus filhos, do quanto seu marido trabalha para colocar menos de um salário mínimo dentro de casa. Ela viu a cena, uma lágrima invadiu seu rosto seco e coberto de rugas de idade e de sofrimento. Não queria só aqueles presentes momentâneos, queria uma vida e isso aqueles onze ordinários não prometeram a ela. Era o momento de se decidir, a fila para a votação já estava grande, todos chiavam.
No caminho para casa veio cheia de si, estava orgulhosa de ser como é. A mulher ansiava pelo resultado, tinha quase certeza que seu 12° homem iria vencer. Ele sim, pensava ela, não tentou me comprar com presentes fugazes, esse é honesto. E dona Maria viveu feliz. Naquelas eleições acertou, o 12°, o que não a subornou, venceu. Uma pena que isso não tenha sido um sinal de moralidade, o fato foi que durante 4 anos o homem nada fez, apenas uns desviozinhos aqui, um suborninho ali. Mas dona Maria nem viu.
Textos sobre política, cultura, economia e esportes. No geral, assuntos oriundos dos cadernos de jornais. No entanto, reservamo-nos o direito de viajar a outros mundos.
sábado, 30 de agosto de 2008
Um voto mais honesto
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Pra inglês ver
O Chelsea anunciou a contratação de Robinho no seu site oficial, um dia depois teve que retira-lo em virtude da proibição e a insistência do Real Madrid em não libera-lo. Um tiro na água. O clube londrino antecipou a "CONTRATAÇÃO" mais cara da história (40 milhões de euros ou 90 milhões de reais) e recebeu um sonoro não do time espanhol. O quase certo se tornou duvidoso depois que o time madrilenho proibiu a saída do seu maior astro e ainda exigiiu a sua retratação à imprensa espanhola e mundial. Robinho não sai do Real Madrid.
E a novela envolvendo o craque brasileiro não terminou com um final feliz para os ingleses. É certo que os dirigentes espanhóis não gostaram nada da atitude do clube inglês ao antecipar-se aos fatos e colocar ontem, na loja online do clube, a camiseta de Robinho à venda.
Uma atitude no minimo precipitada do Chelsea em anunciar a contratação de Robinho, um time que já tem várias estrelas e segue firme na ponta do campeonato inglês jamais poderia ter cometido uma gafe dessa , nunca poderia ser vítima de uma empolgação e até mesmo um desequilibrio, um time que tem estrutura e um time capaz de vencer todos os torneios que disputa , além de ter um poderio financeiro e até político na Europa jamais poderia se submeter a esse tipo de atitude. Uma vergonha para um time da grandeza do Chelsea.
Hoje mesmo todo os jornais espanhóis mostravam em suas capas a recusa do time madrilhenho à proposta do Chelsea.
Segundo os dois jornais, o atacante, além de ver frustrado o seu desejo de atuar no futebol inglês no time dirigido pelo técnico Luiz Felipe Scolari, terá de pedir perdão ao clube e à torcida por ter dado declarações à imprensa de que desejava deixar o Real Madrid. No último fim de semana, ele chegou a ser vaiado e xingado de mercenário pela torcida do Real, durante a decisão da Supercopa da Espanha diante do Valência.
O "As" afirma que o técnico alemão Bernd Schuster foi o principal responsável pela permanência de Robinho no Real Madrid. Segundo o diário, Schuster prometeu que reconduzirá o atacante ao time. As palavras do presidente são reforçadas por Predrag Mijatovic, diretor de esportes do Real Madrid. O Chelsea foi da euforia a frustação, infeliz a atitude, paga-se o preço disso agora.
Drenthe meio campista do Real Madrid disse que o relacionamento dos jogadores com Robinho não foi machado, cuntinua o mesmo
Acompanhe no site do jornal As:
http://http://www.as.com/futbol/articulo/drenthe-robinho-tiene-pedirnos-perdon/dasftb/20080829dasdasftb_8/Tes
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
O documentário
O século XX conheceu vertiginosa evolução científica e tecnológica nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Se foi fácil batizar o século XVIII como o "Século das Luzes" ou o século XIX como o "Século da Razão", não haverá a mesma facilidade para encontrar a denominação mais adequada para o século XX. Afinal, foi o século das guerras mundiais, da bomba atômica, do automóvel, da mulher, das minorias, do avião, das viagens espaciais, da internacionalização da economia, do comunismo, do fim dos impérios colonialistas, da eletrônica, dos transplantes, da indústria cultural, da clonagem, da internet...
Estamos disponibilizando nesse blog, o documentário: Nós que aqui estamos por vós esperamos, é uma série que fala sobre o nosso século XX , O século das inovações , de guerras mas também transformações, aqui disponiblizaremos um trecho mais curto do documentário, pois é muito extenso, mas vale a pena curtir essa obra de arte
Estamos disponibilizando nesse blog, o documentário: Nós que aqui estamos por vós esperamos, é uma série que fala sobre o nosso século XX , O século das inovações , de guerras mas também transformações, aqui disponiblizaremos um trecho mais curto do documentário, pois é muito extenso, mas vale a pena curtir essa obra de arte
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Quem morreu?

"Que cara é essa, morreu alguém?". Dessa maneira "delicada", Dunga começou a entrevista coletiva de imprensa após a conquista da medalha de bronze pelo time de futebol do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Até o próprio Dunga confirmou isso:"Aqui dentro tinha esquema. Comigo não tem. Acabei com o privilégio, e isso causa revolta", disse o treinador, mostrando claramente que tentou dar nova cara ao relacionamento entre comissão técnica, jogadores e imprensa desde que assumiu o "trono" de técnico da seleção em 2006.De fato Dunga não permitiu que o time do Brasil se tornasse uma espécie de figurinha carimbada da Globo, como havia acontecido com o time do Brasil de Parreira na Copa da Alemanha.
Só que, naquela ocasião, Dunga atuava como comentarista pelo BandSports. Da cabine do estádio em Frankfurt, viu o time de Parreira ser aniquilado por Zidane e Cia. E percebeu, na pele, a dificuldade que a imprensa "comum" tinha em conseguir alguma coisa com aquela seleção.Quando assumiu o comando brasileiro, Dunga fez mais ou menos o jogo que acabou tornando-o figura abominável pela mídia em 1994. Sem regalias, sério, fechado, jogando duro. Assim começou a ser implantado o "estilo Dunga" na equipe do Brasil.Só que, diferentemente de 1994, a seleção não ganhou o caneco, ou o ouro. Amargou o terceiro lugar, e com isso a paciência da imprensa com Dunga se esvaiu.
Suas atitudes, que condiziam com aquilo que se considera bom jornalismo, acabaram se tornando sinônimo de antipatia e podem acabar por destruir o trabalho que começou a ser feito por ele (goste ou não goste, ele conquistou uma Copa América e um bronze olímpico).Mas agora o buraco é mais embaixo. Dunga começou a atacar uma seara complicada. Envolve não apenas a mídia como um todo, mas uma das mais poderosas parceiras comerciais da CBF, que é a TV Globo. Ela é quem muitas vezes tira alguns clubes da pindaíba, a pedido da própria CBF.Será que Dunga está com a razão?
Já escrevi em outros meios de comunicação que Dunga era a última opção para dirigir a seleção brasileira depois da saída de Pareira , os resultados estão ai , é uma triste realidade.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Adriano, o homem retratado puramente por Marguerite Yourcenar
Nunca em toda minha vida havia lido uma escritora que escrevesse como homem. As sensações descritas por Clarice Lispector, Virginia Wolf e outras tantas escritoras eram para mim confusas, demasiado abstratas para que entendesse. As mulheres que conhecia falavam de sentimentos obscuros, intrínsecos à alma feminina. Havia tentado por vezes, entretanto, não compreendia. Foi em um final de tarde, temeroso quanto ao livro em minhas mãos, que decidi tentar. A belga que carregava não partilhava dos mesmos conceitos de Virgínia, tampouco das mesmas angústias de Clarice. Uma mulher ambiciosa, Marguerite logo me chamou a atenção. O livro eram memórias, não dela, mas de um homem. Absorvida durante décadas na obstinação de retratar, não fiel, mas artisticamente a vida de um dos maiores homens da história humana, Marguerite Yourcenar concluiu uma das maiores obras já feitas na literatura mundial. Memórias de Adriano, o imperador, entra em recantos da alma, do corpo e do universo de um homem.Durante anos, visitei escritores dedicados à vida dos homens e seus desígnios mais puros ou mais mundanos. Dostoievski deu-me prazeres com seus homens sofredores, desprovidos de alegrias pagãs, Flaubert remetia-me a tantos não sabedores da vida, meros insatisfeitos, infelizes humanos. Outros, como Goethe, haviam me levado ao amor ou à busca obstinada por sabedoria, a qual alucinadamente levou Fausto a vender sua alma a Mefistófeles. Entretanto, nenhum deles retratou como Marguerite os lamentos, as alegrias distintas e não conhecidas, a eterna e terna luta do homem em busca de tudo o que há de sagrado à vida humana. Mais de 1800 anos nos separam de um dos maiores Imperadores Romanos, todavia, através da obra, sentimo-nos ali, amigos, íntimos do Sumo Pontífice romano.
A ambição, as conquistas, os devaneios, tantos elementos permeiam a vida do homem, e todos eles preenchem as memórias de Adriano. Misto de pesquisas, com a obstinação de que tudo seja um relato pessoal, Marguerite faz com que o próprio imperador nos conte sua vida. Entramos na vida de Adriano através de si mesmo. É ele quem vai nos contar suas dores, seus anseios, seus medos e seus amores. O casamento infeliz, seus amantes, o amor tão sensato e puro por Antínoo, tudo nos é contado. É possível ouvir e ver este homem, em seus amores pela vida, em seu diálogo com a morte. Nada nos é jogado, sem fundamento, desprovido de sentido.
Marguerite Yourcenar, mais que uma escritora, é a criadora de uma obra distinta de tudo o mais já feito. As palavras, as verdades colocadas na boca de um imperador, distante dela em 25 gerações, enchem-nos de um prazer desconhecido em outras obras já lidas. As palavras proferidas por Adriano nos remetem a um mundo passado e ainda quase existente. Podemos voltar ao passado, enxergar Adriano e entender a vida dos homens pelos olhos maravilhosos de uma grande escritora.
Quando surge alve - verde imponente

O navio "Colombo" acaba de chegar da Europa lotado de passageiros e de esperanças. Entre todos aqueles que desembarcaram e, pela primeira vez pisaram o solo nacional, estava Caetano Tozzi, o primeiro dentre os italianos a se registrar nos serviços brasileiros de imigração. Assim como as centenas de milhares de seus patrícios, Caetano trazia uma enorme vontade de trabalhar. E ela seria mesmo necessária. A abolição da escravatura andava a passos largos e já se sabia que, cedo ou tarde, ela seria assinada, o que viria a acontecer seis anos depois. O País precisaria, então, de uma nova mão-de-obra e nada melhor que esta fosse a dos europeus, sobretudo a dos italianos que chegavam ao Brasil trazidos em virtude das notícias sobre fertilidade de nosso solo.
Nos quase 50 anos em que viveu no Brasil, este imigrante pôde mostrar o espírito aberto às coisas de nosso País, sem deixar de lado o amor pela velha, querida e então já distante Itália. 15 anos antes de morrer, teve o orgulho de poder ser um dos fundadores do Palestra Itália. Ele não foi o único, é verdade, mas foi um deles. Era o início de um marco na história do futebol brasileiro e mundial.
Em 1914, o hoje nacionalmente conhecido Clube Espéria se chamava "Societá dei Canottieri" (Sociedade dos Remadores). Lá, se jogava a bocha e, como dizia o próprio nome, se praticava o remo. Porém, o futebol começava a despertar paixões, já que há muito era praticado na Itália com o nome de "calcio". Quatro italianos – Luigi Cervo, Ezequiel De Simone, Luigi Emanuelle Marzo e Vicenzo Ragognetti – eram os mais animados dentre aqueles que moravam no então totalmente italiano bairro do Brás. Eles se encantaram com a visita do Torino e do Pro Vercelli, times do futebol italiano, e resolveram que os filhos da Itália e os filhos dos filhos da Itália também precisavam de uma equipe de futebol. Nasce o Palestra!!
Já são 94 anos de história, anos de glória e muitos títulos , nomes de grande jogadores também atuaram com a camisa do grande Palestra , quem não se lembra de Luis Pereira , Oberdan Catani, Leivinha , Evair , César Sampaio , Zinho, Marcos, o Marcão do Palestra Itália , para alguns um "santo" e Ademir da Guia o maior ídolo palestrino de todos os tempos.
E assim segue o Palmeiras, o maior Campeão do Século XX e parabéns a todos os palmeirenses, hoje completamos 94 anos de amor e paixão, uma paixão que já existia mesmo antes de nós nascermos...
domingo, 24 de agosto de 2008
O Tiro

Um país bronzeado
Somos apaixonados e estamos bronzeados pelo sonho do esporte brasileiro. Um Brasil bronzeado , de gente bronzeada. Ao todo foram oito medalhas de bronze nessa última Olimpíada, com um desempenho até regular , conseguimos o melhor feito da história depois de Atlatanta 96. O sonho de conquista dez medalhas de bronze não foi atingido, mas ao menos podemos orgulhar desse feito, oito medalhas bronzeadas não é para qualquer um. É difícil classificar em ordem de importância as medalhas olímpicas brasileiras. Tivemos muitos Bronzes emocionantes ao longo de toda a história dos Jogos Olímpicos, conquistados por atletas diferenciados, persistentes, determinados e moderados. Atletas que ajudaram o Brasil a se consolidar como uma das nações fortes na briga bronzeada. Atletas que, com terceiros lugares inesquecíveis, disseram ao mundo que somos um país que sabe calcular, sabe manter a estratégia, sabe ser contido na hora certa, sabe ser Bronze de verdade.
O que dizer de um terceiro lugar conquistado inesperadamente, quando todos já haviam perdido as esperanças? Existem coisas na vida que não conseguimos explicar com o rigor da ciência e, por falta de definição melhor, não precisamos nos envergonhar de dizer que fomos abençoados com um milagre bronzeado, Vanderlei Cordeiro de Lima que o diga né?
Quem desempenho dos nossos atletas , que luta e que persistência , parabéns ao Carlos Arthur Nuzman , parabéns ao COB que nos presentiaram e incentivaram de verdade todos os esportes sem exceção aqui no Brasil, tivemos algumas decepções eu admito, o vôlei de quadra feminino deixou escapar o bronze e conquistou a medalha de ouro diante das norte - americanas , César Cielo nos levou ao gostinho doce na conquista do bronze nos cinquenta metros livre , mas ao gosto amargo na conquista da medalha dourada nos cinquenta metros livre com direito a recorde olímpico. E o que dizer de Maurren Maggi , por pouco não conquista o bronze , ficou no quase!!
Somos contra aqui a todos os atletas que fecham os olhos para as dificuldades do esporte em nosso pais e conquistaram a medalha de ouro. Sem falar que ganhar ouro é muito mais fácil do que ficar em terceiro, já que pelo bronze, não basta ser o melhor, é preciso controlar seu desempenho para não deslizar e acabar fora do pódio - ou pior: com a prata.
Seja como for , o Brasil chegou com chave de bronze essas Olimpíadas de Pequim!! Ironias a parte , o tiro da semana vai para o nosso Brasil Bronzeado que mais poderia ser um torniquete né?
Esse texto é uma adaptação de um blog chamado Bronze Brasil
Somos apaixonados e estamos bronzeados pelo sonho do esporte brasileiro. Um Brasil bronzeado , de gente bronzeada. Ao todo foram oito medalhas de bronze nessa última Olimpíada, com um desempenho até regular , conseguimos o melhor feito da história depois de Atlatanta 96. O sonho de conquista dez medalhas de bronze não foi atingido, mas ao menos podemos orgulhar desse feito, oito medalhas bronzeadas não é para qualquer um. É difícil classificar em ordem de importância as medalhas olímpicas brasileiras. Tivemos muitos Bronzes emocionantes ao longo de toda a história dos Jogos Olímpicos, conquistados por atletas diferenciados, persistentes, determinados e moderados. Atletas que ajudaram o Brasil a se consolidar como uma das nações fortes na briga bronzeada. Atletas que, com terceiros lugares inesquecíveis, disseram ao mundo que somos um país que sabe calcular, sabe manter a estratégia, sabe ser contido na hora certa, sabe ser Bronze de verdade.
O que dizer de um terceiro lugar conquistado inesperadamente, quando todos já haviam perdido as esperanças? Existem coisas na vida que não conseguimos explicar com o rigor da ciência e, por falta de definição melhor, não precisamos nos envergonhar de dizer que fomos abençoados com um milagre bronzeado, Vanderlei Cordeiro de Lima que o diga né?
Quem desempenho dos nossos atletas , que luta e que persistência , parabéns ao Carlos Arthur Nuzman , parabéns ao COB que nos presentiaram e incentivaram de verdade todos os esportes sem exceção aqui no Brasil, tivemos algumas decepções eu admito, o vôlei de quadra feminino deixou escapar o bronze e conquistou a medalha de ouro diante das norte - americanas , César Cielo nos levou ao gostinho doce na conquista do bronze nos cinquenta metros livre , mas ao gosto amargo na conquista da medalha dourada nos cinquenta metros livre com direito a recorde olímpico. E o que dizer de Maurren Maggi , por pouco não conquista o bronze , ficou no quase!!
Somos contra aqui a todos os atletas que fecham os olhos para as dificuldades do esporte em nosso pais e conquistaram a medalha de ouro. Sem falar que ganhar ouro é muito mais fácil do que ficar em terceiro, já que pelo bronze, não basta ser o melhor, é preciso controlar seu desempenho para não deslizar e acabar fora do pódio - ou pior: com a prata.
Seja como for , o Brasil chegou com chave de bronze essas Olimpíadas de Pequim!! Ironias a parte , o tiro da semana vai para o nosso Brasil Bronzeado que mais poderia ser um torniquete né?
Esse texto é uma adaptação de um blog chamado Bronze Brasil
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O torniquete da semana

Uma derrota imerecida
Final de jogo, o Brasil perde para os Estados Unidos no futebol feminino. Um a zero para as americanas, as meninas brasileiras conquistam a prata na final das olimpíadas. Uma derrota dificil triste e imerecida. Como lutam essas garotas do Brasil , como jogaram na final contra as norte- americanas, elas certamente mereciam um resultado mais justo, uma derrota que não reflete o que vimos nessa final, meninas que batalham até o fim, até o apito final do árbitro. Mas , uma coisa pra mim é inexplicável por que a mulher em nosso país ainda está, de certa maneira, à margem do futebol? Como entender a convivência entre o sucesso da Seleção Brasileira de Futebol Feminino na última Olimpíada e a realidade desfavorável da prática do esporte bretão pelas mulheres em nosso país?
Poderíamos apresentar um breve histórico do futebol feminino em nosso país desde os primeiros shoots até os gramados da Grécia atual. Deixemos essa tarefa para momento mais propício. A nossa preocupação aqui é apenas analisar em que contextos ocorreram às participações das mulheres frente a este fenômeno cultural chamado futebol. Os papéis sociais determinados para homens e mulheres são distintos no mundo predominantemente patriarcal em que vivemos. Em cada época, foi determinado um papel sócio-esportivo para as mulheres, ou seja, determinadas expressões da corporalidade foram classificadas nas opções como "femininas" e "não-femininas". E o futebol, na terra de "Pelé", ficou no rol da segunda opção.
Altos e baixos mesmo na presença de tais limitações legais para a prática do futebol, as mulheres lutaram diariamente contra tais restrições, conseguindo com isso ultrapassar as fronteiras do que seriam "esportes femininos" e "esportes não-femininos". Mesmo sabendo que o futebol ainda é uma prática de lazer ligada diretamente à figura masculina em nosso país, percebemos que meninas e mulheres estão cada vez mais praticando o futebol.
Apesar de entendermos que o futebol feminino em nosso país ainda vive de altos e baixos, principalmente o chamado "futebol profissional" (falta de campeonatos, de torneios, equipes que se formam e rapidamente se extinguem por falta de apoio, etc.), acreditamos, que o mesmo já conquistou uma boa parte das mulheres. Atualmente para as mulheres brasileiras sua participação ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade.
Então, não entendendo como ainda , depois , de vários resultados e até expressivos dessas garotas que valem ouro literalmente, não tem o reconhecimento devido. Essas meninas são e devem ser olhadas com mais carinho, devem ter o reconhecimento merecido, campeonatos oficiais , devem ter mais investimento, mais incentivo. O torniquete da semana são essas meninas , que mesmo na derrota mostraram ao mundo e ao Brasil como perder com dignidade , mostraram a todos que merecem sim o nosso torniquete da semana.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Lembranças de um amor nos tempos do cólera

A vida solitária não era digna. Tampouco a união eterna, junto a outra alma desconhecida lhe parecia uma saída. Num canto ermo de sua casa, o velho triste sucumbia às horas de um vazio que o afligia há anos. Pensava nas alegrias que não vivera, nas insanidades acarretadas pela paixão não correspondida. O belo rosto de sua amada, os olhos atentos, a voz prazenteira da jovem esbelta, tudo ainda vivo, como se a visse ali mesmo, horas antes.
O homem digeria a vida, não a jogara fora de todo, mas haviam sensações ainda mal conhecidas. Tivera amantes, estas de diversos sabores, providas de manias distintas, por vezes alegres. Entretanto, não amara outro corpo, outra voz que não fosse a da menina que conhecera em sua adolescência. Sentado, de olhos fechados, refletia sobre as horas vindouras. Já vivera tanto, vira lugares que encheriam de prazer qualquer homem vazio, sentira sabores, bebidas diversas, comidas distintas. Refletia sobre as horas, sobre a amada, sobre o futuro. Beirava a morte, em corpo, não em espírito. Sentia suas forças, sonhava com o amor que a esperava em outra sala, esta não tão distante de suas aspirações mais puras.
A mulher chorava, lembrava dos dias vividos com seu homem. O corpo estendido; olhos fechados, tantas vezes já vistos, mas que agora eram eternos. Na sala outros pêsames, outros choros, entre velas acesas. Já era notícia. A vida em conjunto agora tornara-se dor; a solidão já ensaiava naquele peito antigo. Viver sozinha, tal como o jovem que a amou toda vida. As rugas do tempo, os olhos agora tristes, mal viram entrar o homem de agora. Entre homens, mulheres, o amor era visto. O velho entrou, encarregou-se de tudo, das pompas, do enterro, tal como conhecido. Nela, um amor não sabido, talvez adormecido no meio século passado. Nele, o amor como sempre: vivo, sentido.
A morte acontecida mal refreou tais intentos. Tinham pouco tempo, talvez horas. Para a mulher, algo estranho, nunca sentido. Para o homem, o começo de um amor aceso por décadas, nunca esquecido. Hora de viver. Lado a lado, uma paixão antiga. O navio que levava ao longe, que vagava, mostrava ao mundo um sentimento bem-quisto: um amor a vagar, por todo o tempo.
O homem digeria a vida, não a jogara fora de todo, mas haviam sensações ainda mal conhecidas. Tivera amantes, estas de diversos sabores, providas de manias distintas, por vezes alegres. Entretanto, não amara outro corpo, outra voz que não fosse a da menina que conhecera em sua adolescência. Sentado, de olhos fechados, refletia sobre as horas vindouras. Já vivera tanto, vira lugares que encheriam de prazer qualquer homem vazio, sentira sabores, bebidas diversas, comidas distintas. Refletia sobre as horas, sobre a amada, sobre o futuro. Beirava a morte, em corpo, não em espírito. Sentia suas forças, sonhava com o amor que a esperava em outra sala, esta não tão distante de suas aspirações mais puras.
A mulher chorava, lembrava dos dias vividos com seu homem. O corpo estendido; olhos fechados, tantas vezes já vistos, mas que agora eram eternos. Na sala outros pêsames, outros choros, entre velas acesas. Já era notícia. A vida em conjunto agora tornara-se dor; a solidão já ensaiava naquele peito antigo. Viver sozinha, tal como o jovem que a amou toda vida. As rugas do tempo, os olhos agora tristes, mal viram entrar o homem de agora. Entre homens, mulheres, o amor era visto. O velho entrou, encarregou-se de tudo, das pompas, do enterro, tal como conhecido. Nela, um amor não sabido, talvez adormecido no meio século passado. Nele, o amor como sempre: vivo, sentido.
A morte acontecida mal refreou tais intentos. Tinham pouco tempo, talvez horas. Para a mulher, algo estranho, nunca sentido. Para o homem, o começo de um amor aceso por décadas, nunca esquecido. Hora de viver. Lado a lado, uma paixão antiga. O navio que levava ao longe, que vagava, mostrava ao mundo um sentimento bem-quisto: um amor a vagar, por todo o tempo.
- O texto é baseado em O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Marquez.
Apenas uma lembrança

Alguém se lembra do seriado JK que foi veiculado na Rede Globo de Televisão? O sucesso do seriado demonstra aos jovens de hoje que a busca de um passado que foi mitificado e hoje é apenas uma crítica da mediocridade do presente.
O seriado global atiçou nas novas gerações a nostalgia do Brasil que não viveram. Jovens – meninos e meninas – que vão além da tediosa pobreza da telinha e se dão ao trabalho de escavar a história, não raro interpelam os sobreviventes do desenvolvimentismo com suas angústias e esperanças. Perguntam: Juscelino foi “tudo aquilo”? A busca de um passado idealizado e mitificado, em sua maciça e massificante perplexidade, é a crítica ingênua de um presente atolado na mediocridade e na estagnação.
Nietzsche dizia que nos “bons narradores e maus explicadores” há freqüentemente uma segurança e coerência, num contraste francamente ridículo com a inaptidão de seu (próprio) pensamento. Assim, sua cultura parece num dado instante excelente e elevada, mas lamentavelmente baixa no instante seguinte. Juscelino e suas circunstâncias foram tudo aquilo e mais alguma coisa , esse mais alguma coisa é o resíduo que a história não revela aos gênios de baixaria, ventríloquos nativo, sempre empenhados na cruzada contra o que chamam de populismo. Seja como for, no período desenvolvimentista foram travadas as batalhas decisivas pela consolidação do processo de industrialização. O “desenvolvimentismo” como projeto de um capitalismo nacional cumpriu o seu destino através do Plano de Metas. Muito ao contrário do que pregam os caipiras cosmopolitas. O projeto juscelinista integrou a economia brasileira ao vigoroso movimento de internacionalização do capitalismo do pós-guerra. A análise do Plano de Metas explicita a concepção de um bloco integrado de investimentos na infra-estrutura, no setor de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Isso não deve impedir, porém, a crítica da política econômica juscelinista , mas ela não é possível sem o conhecimento das circunstâncias históricas que permitiram os 50 anos em cinco. Os resultados, ainda que desiguais, não foram ruins, comparada a qualquer outro período do capitalismo, anterior ou posterior, a era desenvolvimentista apresentou desempenho muito superior em termos de taxas de crescimento do PIB, de criação de empregos, de aumentos dos salários reais e de ampliação dos direitos sociais e econômicos. A moda, então, entre os economistas, sociólogos e cientistas políticos, eram as teorias do desenvolvimento, os modelos de crescimento econômico e o estudo das técnicas de programação e de planejamento.
Foi um momento impar no desenvolvimento do Brasil que merece ser destacado, mas que infelizmente para os jovens não ultrapassam as páginas dos livros , uma pena. Pra que vê o Brasil hoje não tem noção do que foi esse período, infelicidade nossa, jovens, que nos deparamos apenas um governo antiquado, rústico para dizer a verdade , um governo que ainda vive momentos provincias , momentos de uma colônia.
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