
Textos sobre política, cultura, economia e esportes. No geral, assuntos oriundos dos cadernos de jornais. No entanto, reservamo-nos o direito de viajar a outros mundos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Do ministério à presidência – duas histórias

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O cinema brasileiro, de Surfistinha a Lula

terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O que é Lua Nova?

O grande problema, devo salientar, não é especificamente com Crepúsculo, Lua Nova e os outros filmes da série que ainda serão feitos. Obras como essas existem várias por aí, algumas até mesmo com atores, direção, fotografia e roteiro piores. Sei que parece impossível, mas existem sim, basta assistir aos filmes exibidos na TV Globo. O assombroso nessa série de filmes pueris baseados em livros de uma tal Stephanie Meyer é o grau de arrebatamento que ela suscita na sociedade.
Há meses não se fala em outra coisa em universidades, bares, lares e estaleiros. Fala-se de um “casal perfeito”, da beleza dos protagonistas e outras coisas fundamentais às pessoas de pouco juízo. Mas o que é, afinal, Lua Nova?
Quando pensei que tivéssemos deixado para trás esse cultivo infantil a lendas de vampiros e lobisomens, eis que essas antigas histórias ressurgem para ilustrar o amor de Bella e Edward. E, como se não bastasse, insinuando o amor impossível de uma humana por um vampiro, remetendo conscientemente à história de Romeu e Julieta – o livro de Shakespeare aparece no filme para ilustrar essa semelhança.
Para os apaixonados por cinema, no entanto, fica a sensação de fim do mundo. Ninguém sabe ao certo nem a qual gênero pertence Lua Nova. Afinal, é romance sem ser romântico, é suspense sem ser um Hitchcock, é drama sem comover ninguém. Mas atrai o público como dinheiro.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
sentimentos ESCABROSOS II
Como expressar aos homens o sentimento acerca dos sentimentos? Essa, sem dúvida, é uma das grandes questões que me afligem nesses tempos. Torna-se difícil, em detrimento da loucura e da banalidade dos dias atuais, refletir sobre os sintomas de tamanhos absurdos. A arte abstrata, a qual expressa o sentimento do homem ante a contemporaneidade, apresenta-se a mim como um sintoma da própria loucura contemporânea. Assim, como entender a arte abstrata? O que deveria ser uma crítica à própria abstração dos homens é, ela mesma, uma abstração. O que deveria ser uma fuga torna-se aceitação. As feiúras nas paredes da cidade ganham telas, páginas, sons, fazendo com que a arte seja o símbolo da loucura cotidiana.O labirinto da contemporaneidade é dotado apenas de entrada, ficando os homens a procura de uma saída, quando a mesma é a própria porta pela qual entraram. A arte abstrata é aceitação, não critica, tampouco censura. Em final de 2008, uma jovem entrou num andar desocupado do prédio da Bienal de São Paulo e, diante do vazio, expressou seus sentimentos da maneira mais apropriada a um jovem: pichando. As salas, que poderiam muito bem representar o vazio interior dos homens, foram invadidas pela abstração. O caso ganhou contornos escabrosos, tornando a história da pichação uma obra de arte: a garota fora presa, sendo solta tempos depois, após diversos protestos de artistas nacionais. A arte contemporânea revela o bizarro e é condescendente com a loucura e a banalidade de nossos tempos.
Sendo eu mesmo parte integrante dessa bucólica paisagem de assombros, expresso-me com feiúra. Pouco transmito dos sentimentos que me acometem ante as manifestações artísticas de agora. Entro, cotidianamente, nos labirintos de Jorge Luís Borges. Perco-me nos infindáveis pensamentos acerca do vazio humano e das variadas buscas por seu preenchimento fugaz. Assim, uma obra de arte que traga o sentimento em sua forma concreta, a qual assimile sentimento e entendimento, torna-se digna de apreciação.
“Big Man”, de Ron Mueck, revela fielmente a angústia do homem solitário. O parto, a velhice, o sexo, são retratados por esse artista, grande conhecedor das expressões humanas. A feiúra transmitida é palpável. Com concretude, o homem nos remonta à dor humana. Digo que pra mim isso é arte, não deturpação. Mesmo que recorramos à feiúra, que esta expresse a face da dor e do vazio, e não de uma singela parede com rabiscos.
* As obras são do escultor australiano Ron Mueck.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A adoração dos ingênuos
Devemos salientar que sempre foram assombrosas as opiniões acerca dos predicados de nosso presidente, as quais quase sempre versavam sobre a origem humilde do sindicalista, de seus discursos em nome da ética, que denegriam sem nenhum pesar a imagem de políticos malfazejos como Sarney, Collor, Barbalho, Calheiros e companhia não menos pérfida. O Lula para eles era o homem do povo e o qual, estando no poder, daria um novo rosto à política brasileira, conferindo finalmente a essa terra esquecida a alcunha de “Brasil, o país do presente”. Doces delírios? Não, seria tolo não reconhecer os avanços obtidos até aqui. No entanto, isso não confere ao presidente o título de salvador da pátria.
Eu poderia muito bem elucidar que, como maior mandatário de nosso país, eleito pelo povo, ele não fez mais que sua obrigação. Mas certamente receberia como resposta desses tantos correligionários do presidente uma débil e óbvia pergunta: e por que o FHC não fez? Elementar, meus caros, não se pode comparar um governo iniciado em momentos trágicos com um onde o começo se deu em momentos auspiciosos para todo o planeta, com países como China, Índia e Coréia do Sul em franco crescimento. E, afinal, o que se espera de um governo sucessor? Que este continue a organizar o que não foi organizado e a amadurecer o que fora iniciado. E ademais, Tolstói é Tolstói e Dostoiévski é Dostoiévski, não competindo a nós denegrir um autor em detrimento do outro. Algo lógico, não? Não, pelo menos para os ingênuos de que trato aqui.
Essa nova condição em que se encontra Lula é fruto do oba-oba atual no âmbito da economia e da política externa brasileira. Mas questiono, será que esses noticiados progressos atentam realmente para uma realidade que pode ser vista e não apenas sentida? A propaganda lulista que, sabemos bem, noticia alegremente o que ainda não foi feito - ou seja, o porvir – não incute em nossos esperançosos cidadãos – tomando os que antes se opunham ao presidente como exemplo - a sensação de que, por todas suas ações, “Lula é o cara”? Sim, a máquina hitlerista funcionava desse modo – mas não faço aqui uma analogia entre dois homens, como ele o fez há pouco com o PSDB – e o que vimos foi uma aderência cega aos discursos do tresloucado alemão. Em suma, o marketing do governo Lula insere em toda a população os sentimentos de estarem no lugar certo e na hora correta. E mais, que talvez estejamos chegando ao que os marxistas veem como “o fim da história”.
Todavia, é mais preciso chegar-se à imagem de Lula pelo próprio marxismo, basta usarmos para isso de sua dialética – método que Marx adaptou de Hegel - para encontrarmos o que há de negação no presidente. Afinal, em detrimento da ética, as alianças de Lula com os mesmos homens que ele criticava valem realmente a pena? Podemos refutar as denúncias – estas comprovadas – de caixa dois em sua campanha? A argumentação – que não vale no caso do Senador Azeredo, alvo de denúncia análoga – de que ele desconhecia o esquema do “mensalão”, mesmo quando os responsáveis pela tramoia eram seus homens de confiança? Eu sei, tudo isso já foi pisado das mais variadas formas, mas ainda sim creio que esses são fatos eternos e que serão relembrados por anos a fio como constituintes do governo mais corrupto da história – como assim definiu o ex-ministro do mesmo Lula, Mangabeira Unger.
Agora indago, adoráveis ingênuos, Lula é o político que mais contribuiu para os avanços econômicos e sociais do país? Sim, se não o fosse nada existiria nele de relevante. No entanto, este não é o mesmo homem que negou todas as acusações de corrupção impetradas contra seu governo, defendendo o bandido já preso na cadeia? Sim, pois ele se porta como o “deus” do perdão e toma em seus braços, como aliados, afilhados, etc., aqueles cujos nomes mancham o papel logo acima e muitos outros de igual renome.
Então, por fim, quem é Lula? O homem que deu ao país a dimensão dos nossos sonhos, ou, o político que engendrou na população a sensação de que a corrupção é inerente ao progresso e, como tal, todos devem refutá-la? Hoje a sensação de que o Brasil agora tem a importância que deveria ter por todas as suas potencialidades anda na cabeça dos brasileiros, assim como a percepção de que a corrupção é mal arraigado na política nacional e, portanto, desimportante.
Não tento responder quem é o presidente, pois isso ultrapassa todas as minhas aspirações de perscrutador de Lula e induz, inexoravelmente, a um pedantismo medíocre. A essa mesma retidão deveriam aderir os que pregam o brilhantismo de nosso presidente, a fim de não incorrerem na interpretação ingênua do homem político.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Babel de culturas

A metáfora bíblica decerto fora a maior das profecias – ou, simplesmente, uma constatação precoce das diferenças entre os homens. A humanidade está dividida em valores culturais e idiomas distintos, os quais talvez nunca sejam compreendidos uns pelos outros. Impossibilitados do diálogo, cegos por construções culturais diversas e etnocentristas, envoltos numa Babel de culturas, nunca será possível às nações um acordo que os leve à paz e o bom convívio.
Isso é o que pudemos perceber dias atrás, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nas falas de líderes como Mahmoud Armadinejad, do Irã, Muammar Gaddaffi, ditador da Líbia, Hugo Chávez, da Venezuela, e companhia não menos assombrosa.
Há um misto de discursos vazios e envoltos em retórica, como os de Obama e Lula, e explanações revoltosas, como as do líder líbio. Sozinho no discurso de unidade entre as nações, o secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, parece não compreender os desafios que tem de enfrentar. Kimoon pede a todos que tolerem suas diferenças em busca de solução para as mudanças climáticas, a pobreza e a gripe suína.
Mas eles não se entendem. Falam línguas diferentes, creem em deuses e sistemas díspares. Alguns veem na violência e na guerra seu único discurso. Deus talvez tenha errado em, além de dividir a humanidade em línguas, tê-la dividido também em culturas tão excêntricas.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
A ineficácia do discurso único
Grande novidade para as eleições de 2010, Marina Silva ainda engatinha para ser candidata em 2010. Em entrevistas recentes, a senadora não hesitou em responder questões complexas recorrendo ao discurso da necessidade de “desenvolvimento sustentável”.
No entanto, a senadora promete ser a melhor saída aos insatisfeitos com a dupla Serra-Roussef. Boa porque a nova integrante do PV mantém coerência, bom-senso e está longe do radicalismo de Heloísa Helena. Apesar de ainda correr o risco de ser rotulada como candidata de discurso segmentado, como Buarque o foi com a educação, levantando apenas a bandeira de defesa do meio ambiente.
O discurso único é ineficaz numa campanha ao principal cargo político brasileiro. Com essas propostas, Marina e Cristovam podem ser importantes ministros, cada um ocupando a pasta que melhor domina, mas não podem ser bons candidatos à presidência. Nas eleições de 2010, Serra, Dilma e Ciro tem bem mais chances de chegarem ao poder, não por estarem em partidos maiores e terem melhor visibilidade política, mas por terem uma visão política mais completa e rebuscada.
Já é o momento de Marina cooptar aliados que deem a sua campanha um discurso maduro, que demonstre aos eleitores que a senadora está preparada para ocupar a Presidência da República. Um bom aliado seria o próprio Cristovam Buarque – caso o senador não se candidate - e seu partido, o PDT. Uma chapa composta pelos ex-ministros petistas, além de sofisticar a candidatura, seria uma alternativa duplamente atraente ao eleitorado.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Muita energia no lugar errado
Acontecimentos como a invasão do vestiário desse time paulista são certeiros na história futebolística brasileira. Sempre depois de duas ou três derrotas de seu time, fanáticos enchem-se de angústia, entram em desespero e saem às ruas brigando com torcedores adversários. Isso quando não destroem o estádio e apedrejam o ônibus de seu próprio clube. Nessas horas, notamos que o brasileiro não se esqueceu de como protestar, eles apenas protestam pelos motivos errados, em lugares dispensáveis.
Em meio ao caos existente em nossa política, que sofre com constantes denúncias de corrupção e descaso com a “coisa pública”, revoltar-se ante a derrota de um clube da segunda divisão do Campeonato Brasileiro nos soa amedrontador e, porque não, vergonhoso. Rogério Ceni é apenas um dos poucos entristecidos, ou revoltados, com a inversão de valores presente em nossa sociedade.
Tivéssemos a mesma energia com que nos enfurecemos com nosso clube para enfrentar nossos verdadeiros representantes, que são os políticos, quando estes chutam a bola pra fora ou fazem gol contra, certamente os times da Câmara, do Senado e do Planalto jogariam melhor.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Jefferson Peres, a política e a eterna indignação
Creio que seja difícil encontrar um ou dois políticos dignos de elogio. Ocasionalmente, quando lembramos de algum que mereça louvores, quase sempre este está morto. Sorte a dele, podemos arriscar. Um destes homens foi Jefferson Peres, que nos últimos anos de vida no Senado Federal indignou-se não mais apenas com seus colegas corruptos, mas com o povo, o qual se aquieta e é conivente com as vilanias da classe política.
Líder do PDT no Senado, Peres afirma que o problema da corrupção não é apenas dos políticos, mas dos que o elegem e continuam a elegê-los mesmo após toda a podridão engendrada pelos que deveriam representá-los.
O discurso acima denota um arauto da lucidez já entristecido com o país dos desavergonhados.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Sobre o diploma

Como estudante de jornalismo, obviamente, já deveria há muito ter entrado na briga pela obrigatoriedade do canudo, mas não pude tomar os argumentos opostos como refutáveis ou indignos de serem levados em conta. Trata-se, em suma, de uma questão em que os dois lados defendem elementos básicos para a constituição do que chamamos jornalismo. Primeiro, que tal profissão não necessitou de um curso de formação para nascer. Segundo que, como podemos ver nos dias atuais, é plausível que necessite dela para sobreviver. Simplesmente porque o jornalista é quem narra a história humana, além de ser o jornalismo a principal forma de questionar as mazelas sociais e as injustiças, tornando-se uma instituição tão importante quanto os três poderes, uma vez que deveria trazer à luz as disparidades de nosso mundo.
No entanto, tal exercício não requer formação específica para existir, basta que nasçam homens preocupados com os dilemas sociais e que tenham olhos para ver o que está explícito ou implícito nas ações humanas. Agora questiono, é necessária uma faculdade para isso? Não, não é. Todavia, quatro anos sentado diante de mestres e doutores contribui e muito para a maturação dessa criticidade inerente à prática jornalística. Não diria que simplesmente contribui, mas que é evidentemente obrigatório o convívio da universidade. O dialogar e o refletir nunca terão lugar numa redação de jornal, como julgam grande parte dos jornalistas, num ato de absoluta ignorância e nostalgia, pois se trata de local dedicado à prática, não à reflexão. Um jovem que queira aprender jornalismo e não deseje entrar para a faculdade, numa redação irá aprender os macetes do ofício, compreenderá a lógica da pauta, dos lides, das reportagens, etc., mas não saberá qual seu papel na formação de seus leitores.
A prática jornalística é, sobretudo, um exercício de socialização. Na faculdade não aprendemos apenas a produzir o texto e veiculá-lo, pois a ação começa muito antes. Tem início em nossa própria visão de mundo. É na universidade que temos a formação necessária para observarmos com maturidade uma sociedade carente de acertos. Somos submetidos a questões sociológicas, antropológicas e filosóficas, e o exercício jornalístico advém da assimilação destes saberes. Fazer jornalismo não é simplesmente ver e escrever: é interpretar e formar. O jornalista, mais que qualquer outro profissional, é responsável pela construção da realidade de seus leitores. Quem o lê se adapta aos acontecimentos transcritos, assimila o conhecimento. O jornalismo, independente de diploma, é responsável por toda a evolução sociocultural do homem.
Muito há que se discutir ainda, pois como afirmei, há princípios que se opõem nessa questão. Qualquer um pode estar provido de preceitos inerentes ao jornalismo, mas somente na faculdade tais excentricidades poderão ser fundamentadas. Em contrapartida, não é a sala de aula que irá formar o jornalista, pois este já vem dotado das características que descrevi anteriormente. Por tudo isso, abstenho-me de tomar um dos lados, negando a existência dos argumentos opostos.



