sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O mesmo natal todo ano


Todo fim de ano é de intenso déjà vu. Dezembro remete-me às velhas e entediantes canções natalinas, às lindas montagens da Globo feitas em cima do: “hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”. Quando criança via e ouvia tudo com um sorriso bobo que só os inocentes podem ter. Mas, hoje, tudo o que sinto é o tédio. Fim de ano é o esquecimento de todos os destemperos de um ano inteiro; ignora-se as intrigas, põe-se fim às intolerâncias, vive-se uma semana de amor, de paz, de fraternidade etc. Homens e mulheres ensaiam a tolerância, abraçam inimigos, perdoam desafetos. Tudo lindo, como sempre. Os homens têm, enfim, uma data para conviver em harmonia.

Certamente quem inventou o natal era provido de boa vontade. Depois de tantos e tantos dias de guerras, de palavras avassaladoras, de socos e pontapés, uma semana cuidaria de trazer novamente a paz aos homens. O natal serviria para dissolver as indiferenças, preparar terreno para um próspero e feliz ano novo. Daí a repetição entediante. A ceia é o momento da confraternização, um momento único, quando depois de quase 360 dias as famílias conseguem finalmente reunir seus pares.

Pouco posso dizer da hipocrisia do natal, pois, sendo homem, faço parte desse ritual penoso. Fugir à data seria quase um sacrilégio, uma decepção para todos. Não fazer parte do natal é aderir não apenas a 358 dias de intrigas, revoltas e guerras, mas sim aos 365 que compõem o ano. Seria uma fuga à falsa ou verdadeira conciliação. Infelizmente, aos homens, tornou-se mais conveniente a guerra o ano inteiro e o perdão no natal. Um 25 de dezembro forjado, uma confraternização comercial.

O natal coube bem a um mundo de pressa e de conflitos. É o dia em que os vizinhos são toleráveis, familiares tornam-se até mesmo simpáticos. Troca-se presentes com um sorriso forjado pelo álcool da champagne. Todo fim de ano é igual. O mesmo natal, com a figura do papai generoso, do sentar-se à mesa com a família. É todo ano a mesma coisa. O mundo parece que, a medida que cria suas guerras, constrói também seus momentos de paz, absolutamente temporários, é claro.

Passarei o natal em casa, como nos 20 anos anteriores. Novamente a velha sensação de amargura pelo dia construído por hipocrisias. Serão beijos e abraços, um feliz natal, um próspero ano novo. E virão novamente as mesmas intrigas, os velhos conflitos, esperando o próximo fim de ano para que todos voltem à paz.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

sentimentos ESCABROSOS




















O mundo nunca viu tamanhas escabrosidades. Os homens já não sabem o que dizem, e quando dizem são sentimentos bizarros, ininteligíveis, abstratos. A contemporaneidade é permeada de riscos, de manchas obscuras que tornam até mesmo a arte abstrata a mais fácil entendível manifestação. São pichações, telas repletas de manchas, de fantasmas do cotidiano, tudo tão boçal. Realmente, como previa certo barbudo séculos atrás, “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. A alma humana, nestes tempos de ócio, de pressa, de loucura, não capta mais a beleza que se podia ver anos atrás.

A arte é feita de sentimentos, assim, a beleza do amor era transcrita em belos livros, exprimida em belos quadros. Não havia manchas, o sentimento podia ser entendido. Os beijos, os abraços eram precedidos por olhares sinceros. Doce época em que o homem temia apenas a si mesmo. O caminhar das horas não os levava a essa febre horrenda e vazia. Chorava-se por paixão, morria-se pela amante. A arte de nossos tempos perdeu-se na imensidão de um mundo sem fronteiras. Hoje apóia-se a feiúra, esparrama-se tintas, diversas cores em paredes, em chãos, o céu torna-se preto, as belas tonalidades viram cinza.

As razões dessas existências escabrosas são, como elas, inexplicáveis. Como dizer que o homem desconhece o sentimento, exprimindo-o na primeira palavra. Os riscos em quadros e paredes assemelham-se a palavras que não podem ser ditas. Inventa-se novos meios de desafogo, bizarros e horrendos. O homem pratica sua arte, como sempre, descrevendo seus sentimentos. No entanto, quais sentimentos? Outros tantos aplaudem, admiram esculturas de monstros assustadores, quedam-se ante telas onde a tinta imita ossos emendados, pesadelos do dia-a-dia.

Outrora via os campos de trigo, hoje vejo os riscos na parede. Tempos de uma Monalisa perdida graças às insanidades e os sentimentos desconexos de homens banais. A banalidade do homem nunca soou tão escabrosa. A beleza, excomungada, cede espaço à feiúra contemporânea. Morre a arte, morrem os sentimentos, morrem os homens.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Umbanda, samba de roda, capoeira e feijoada – uma semana dentro da cultura afro-brasileira


Um país miscigenado, marcado pela diversidade de rostos, de credos e de artes. A cultura brasileira está longe de uma definição, é uma manifestação de povos e povos, de lugares que se encontram num mesmo cenário. Toda essa mistura acarretou na imagem de um povo alegre, com seus sons e crenças próprios. Temos a imagem do samba de roda, do gingado da capoeira, dos terreiros de Umbanda e Candomblé, da feijoada, do acarajé e do vatapá, todas essas quando não símbolos maiores da cultura nacional, ganham forma e vida em solos brasileiros e, assim, perfazem o sincretismo artístico e religioso de nosso país. Foram as manifestações dessa cultura, uma fusão de europeus e africanos, que busquei e vivi durante uma semana.
Em um terreiro de Umbanda
Entrar num terreiro de Umbanda trouxe-me o tão esperado contato com o novo; as cantigas e as danças que juntos evocam orixás ou espíritos implicavam numa recôndita paz. A religião que nesse 15 de novembro celebra seu centenário perfaz o sincretismo religioso e cultural brasileiro. No ritual, assistido numa calma sexta-feira, a imagem de Jesus – Oxalá no Umbanda - tomava a parte mais elevada do altar, abaixo seguiam-se as figuras de Iemanjá e Ogum, representações que se assemelham a santos da religião Católica, como este que em São Paulo também é chamado de Santo Antonio e aquela Nossa Senhora dos Navegantes. Ainda se vêem as imagens de Cosme e Damião (ibejis: gêmeos amigos das crianças), ambos festejados pelas duas religiões.
Os atabaques, neste instante, traziam ritmos que embalavam histórias de homens e mulheres, os escravos, pretos-velhos, caboclos, ciganos, dentre outros. Nesse dia os entes evocados eram os pretos-velhos, escravos africanos que morreram de velhice, dotados de uma poderosa sabedoria. Sentado, tentando o melhor ângulo para uma foto, mal vi uma das mulheres a se aproximar, perguntando-me se queria tomar o passe. Prostrei-me diante de uma senhora, absorvida em suas meditações tragava calmamente seu fumo de corda. Tomei o passe, levantei-me e se seguiram novas cantigas, acabando a celebração.
"Foi há cem anos, em Minas Gerais, com Zélio Fernandino de Morais que isso aqui teve início", conta-me, logo após o rito, Pai Roberto D’Ogum, presidente da casa na qual tive meu primeiro contato com a religião que, século passado, influenciou alguns de meus mestres, como Gilberto Freire e Vinícius de Moraes. A dúvida que restava era quanto às representações no altar. E é o historiador Valderez Antonio da Silva quem me explica: para ele, há duas versões para essa junção entre santos católicos e divindades oriundas da África. "Talvez uma saída que os africanos arranjaram para terem seus deuses aceitos; outra hipótese é oposta, pode ser uma forma que a Igreja encontrou para explicar a crença cristã, comparando seus santos às entidades das religiões africanas", conta.
Apesar das diferenças entre Umbanda e Candomblé, é nesta que aquela encontra sua raiz, sua origem africana. Foi no terreiro de Candomblé de Mãe Menininha, na Bahia, que Jorge Amado, Caetano Veloso, Dorival Caymmi e Gilberto Gil conheceram a religião originária da África. Hoje, brancos e negros, pessoas de todas as etnias e classes sociais têm a Umbanda e o Candomblé como sua principal religião. "Aí está a grande vitória do povo africano, após anos de sofrimento, o branco ganha seu gingado, rende-se à sua cultura", diz, também rendido, Valderez Antonio.
O samba, a capoeira e a feijoada
"O gingado", as palavras do historiador remetiam a outros recantos, às manifestações que também compunham o rol de eventos os quais pretendia vivenciar. Era o samba de roda, era a arte da capoeira, ambos encerrados pela mistura que nos trazia a feijoada. Pude, então, ver o pandeiro, o atabaque, o berimbau, o requebrado das morenas. "‘Quem não gosta de samba, bom sujeito não é’ dizia Dorival Caymmi, como não concordar, disse ao rapaz mais próximo. O samba ali demonstrava a união, a alegria presente em toda a cultura afro-brasileira: a roda de samba, de capoeira ou até mesmo a roda no terreiro de Umbanda".
Das religiões, dos ritmos que pulsam no coração brasileiro, das cores que alegram e nos distinguem dos demais, pouca coisa é nacional sem ser afro-brasileira. O aroma da feijoada, o forte sabor da carne e do feijão preto, atenuadas pelo doce sabor da caipirinha, acompanhavam o dialogar, o escrever, e o conhecer sobre essa cultura. Num destes momentos, Valderez Antonio, o historiador que me acompanha nesta semana de contato com a maior das culturas nacionais, cita-me Caetano Veloso, outro apaixonado por tais manifestações. É com ela, parte da canção "Milagres do povo", que encerro:
"É no xaréu que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil?
Foi o negro que viu a crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente"


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O país onde a esquerda é democrata

Obama e McCain: a nova e a velha direita

Os Estados Unidos não é apenas a nação mais rica, mais evoluída em todos os setores sociais, com algumas das instituições mais sólidas do planeta. O país é o símbolo de que o capitalismo é o melhor sistema econômico já criado, e que a democracia é a organização social mais humana. Todos estes fatores são facilmente exemplificados em suas eleições presidenciais. Ali, temos o partido conservador, os republicanos, representantes da moral cristã, de um nacionalismo quase sempre utópico. De outro lado, temos os democratas, estes que trabalham em nome do progresso, de uma intervenção maior na economia, por um Estado mais forte em nome da sociedade, que quebra as barreiras do cristianismo, do que é firme e duradouro por se parecer o mais ameno ao bolso da velha “aristocracia”.

Enquanto os republicanos representam Deus e a moral cristã, os democratas representam os homens e suas ambições, a quebra de tabus. O aborto, a intervenção do Estado na economia, medidas de distribuição de renda, são alguns dos temas que opõem ambos os partidos. Os republicanos, segundo a denominação mais comum, são os chamados “direitistas”; e os democratas, os “esquerdistas”. Entretanto, apesar do Partido Republicano representar ideais mortos e peculiares à direita de séculos atrás, o Partido Democrata está longe de ser o que se entende por esquerda na América Latina.

A eleição de Obama para presidente alegrou Fidel, Chaves e cia, entristeceu a velha direita. Olavo de Carvalho, durante toda a eleição, atacou o agora presidente americano, para ele o democrata representa a esquerda mais cínica e demagoga. Segundo Olavo, Obama tramou de tudo para chegar à presidência, o filósofo brasileiro acreditava numa conspiração para levar o democrata ao poder. Pura imaginação fértil. Apesar de leitor assíduo de Olavo, torna-se difícil acreditar em elucubrações como estas.

Barack Obama e o Partido Democrata estão longe de representar a esquerda tal como conheço. Todos me viam nesta eleição como um opositor do democrata, nunca fui. Acredito apenas que Hillary Clinton seria melhor, pois as palavras de Obama soam, por vezes, a mim, como pura demagogia. Os Estados Unidos, até mesmo na ideologia presente em seus principais partidos políticos, consegue ser superior ao resto do mundo. No país onde a direita é velha e ingênua sem ser prejudicial, a esquerda representa a nova direita. Os democratas, com Bill e Hillary Clinton, Obama e Al Gore representam os homens e não ideais utópicos, trabalham o bom senso e não a barata ideologia esquerda.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Maravilhosas e cruéis palavras de Gerald Thomas

SEJA UM IDIOTA


Tenho estado num estado bastante “ofegante” e “ofendido”. O leitor deverá perguntar: Por que ofendido? A resposta não é simples. Bem, talvez seja. Tenho relutado em escrever esse artigo assim como tenho pensado muito se devo ou não manter um blog e, assim como cada homem, mulher, criança, mosca, mosquito nesse planeta, emitir uma opinião, sentimento, sensação, publicar BlogNovelas, roteiros, berrar contra as VERDADES ABSOLUTAS, publicar minhas próprias mentiras… Ou seja, tentar vaga para síndico nessa Babel Virtual e inadministrável de nicknames onde ninguém é ninguém, mas todos sabem de tudo. UFA!

Hugh Hudson é um dos poucos autores-diretores de cinema do mundo. Inventor de técnicas lindíssimas, ele conta ‘coisas’ épicas terrivelmente cruéis, românticas e históricas (mortes, guerras, o sofrimento humano, o eterno retorno ou a eterna busca do filho ao útero universal). Hugh está sempre contando a mesma estória, através de seus filmes, seja o tema qual for. O ‘underdog’ – o fodido – é sempre aquele que acaba por contar a saga, desde Al Pacino em “Revolução Revisitada” (que filme deslumbrante, deus do céu!) ou o garoto Tarzan, filho de aristocrata, criado por macacos na África e que vira um “primitivo” e quase é abatido pelos snobs. O mesmo acontece em toda sua obra, assim como na obra de Beckett, seus personagens, apesar da troca de nome, são um só, ou seja, o próprio autor.

Claro que Hugh é humilde e rejeita essa noção. Mais humilde sou eu, e eternamente grato por essa amizade. E? E o quê? E bestificado com a imprensa brasileira que ignorou sua presença aqui para não sugar da experiência do diretor de “Carruagens de Fogo” seu conhecimento DE VIDA, afinal esse cara ainda é de extrema influência num lugar no mundo que se chama Grã-Bretanha e ramificações!

Bem, nessa minha saída do mundo virtual não quero culpar ninguém a não ser eu mesmo. Tem sido fantástico. Nos últimos dias as conversas tem sido maravilhosas. Mas o que tenho visto, vivido, decepcionante. Ninguém do meu próprio elenco apareceu no debate com o Hugh. Claro, devem ter tido mais o que fazer. Digo, coisas mais importantes. Devem saber tudo sobre a Guerra da Independência Americana (justamente agora, às vésperas de uma outra espécie de “guerra da independência” que acontece dentro dos USA, a eleição de Obama). Claro, essa é a cara de um elenco moderno e informado. E isso me leva às lágrimas e ao desespero.

Nesses dias de eras turbulentas, temos muito o que fazer. Estamos muito ocupados. Todos. Imagino. Cada um tem um blog para administrar. Cada um tem um livro para publicar, virtual ou não. Cada um tem um novo software para instalar, uma viagem programada antes do final do fim do mundo. Ninguém ainda acordou para o fato de que CULTURA… TER CULTURA AINDA É A ÚNICA ÂNCORA REAL QUE TEMOS PARA NÃO SERMOS ENGANADOS, assim como somos enganados em portais como esse, com entrevistas falsas mentirosas, encomendadas, como foi aquela do Lula há uns dias! Um nojo!

Bom exemplo nos dá o Alan Greenspan. Anos e anos no topo lá do Federal Reserve, pintando e bordando. Até que, na quinta passada, três anos depois de ter saído do Fed, o homem admitiu ter colocado muita fé no poder auto-corretivo do mercado financeiro. Olha só que loucura! Como pode um homem, cuja postura coporal, maneira de se comportar fisicamente e expressão facial, valia pontos no Dow Jones, cuja forma de andar (no dia em que ele dava seu speech, logo ele casado com a repórter da NBC Andréa Mitchell), a forma de se comportar era analisado e isso em si já era “jogado” na bolsa: como pode ele agora dizer que ADMITE alguma coisa? Depois do CRASH, depois disso que já está decididamente se tornando uma das maiores dores de cabeça da HISTÓRIA (até pro Lula Blindado), Greenspan se torna “humilde” e retira suas cagadas. Wow! Ele mesmo declarou que está num estado de choque e… Haha!

Eu ia escrever um artigo enorme sobre o Paul Krugman que conheço, remotamente, há anos. Mas não gosto de sites, portais, etc, que mentem. Me sinto mal. Não vejo propósito. Se é para continuar a escrever, posso sempre abrir um myspace, yourspace, ourspace, nospace or some fucking space ou qualquer merda dessas. Ou simplesmente escrever para mim mesmo, como 3 bilhões de pessoas fazem.

Eu ia, também, descrever momentos de um mais-que-maravilhoso jantar com o Reinaldo Azevedo. Mas… Para que seja tudo distorcido? Sorry, estou sem energia para isso agora. Anotei algumas coisas e os momentos mais preciosos serão guardados para momentos mais preciosos (com a autorização do próprio).

Ontem, num vôo, tive o imenso prazer de encontrar com o Jabor, que amo. Difícil ter conversa mais interssante e mais íntima. Nos conhecemos há sei láa quantos anos e… sei lá quantas coisas temos em comum. Feliz da vida, ele vai voltar a rodar um filme. Fomos das origens da Al Qaeda até o fato de que hoje ninguém sabe nada mesmo e não adianta. Ele foi muito gentil em me mandar 2 de seus filmes que assistirei no vôo de volta pra NY. Num de seus sites achei o exemplo ideal do que somos hoje, do que seremos amanhã.

“SEJA UM IDIOTA

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele”. (Arnaldo Jabor)

Pois é. Quando me olho no espelho ou para a tela do computador percebo que não tenho mais vida. Percebo que está tudo enfiado aqui dentro. Será isso que quero para mim? Será isso que queremos para nós?
Pensem bem. Sentados diante de telas o dia inteiro na ilusão de que o mudo está aqui dentro enquanto que, na verdade, essa coisa virtual já nos pegou de tal forma que não sabemos mais se somos daltônicos, insensitivos, gelados, compulsivos, exibicionistas, atores sem palco, diretores sem elenco, escritores sem páginas e pintores sem tela.
Vivemos num vácuo que nem astrônomos conseguem explicar, porque, como diz o dito popular, o buraco é mais embaixo.

Do blog de Gerald Thomas

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Manifesto do Repúdio


Há algum tempo certo trabalho acadêmico me encheu de angústias, de enfados, e outros sentimentos pesarosos. Era preciso resumir, encontrar frases relevantes e criticar. Confesso que, quanto à criticar, não havia problema, o grande sofrimento era resumir, pois era preciso ler e reler o escrito. Tal trabalho me rendeu boa nota e um pesar de lamento por parte de meu professor, simpático aos pensamentos do "escritor" resumido e criticado. O resumo não está aqui, seria enfadonho para qualquer leitor, poupo-os deste intento. Porém aí está a crítica a esse espectro, ao espectro do comunismo.


Hoje, mais de 90 anos após a Revolução Russa e mais de 40 após Revolução Cultural Chinesa, graças a História, posso imaginar o vermelho do comunismo manchando esses dois países. A cor vermelho sangue do partido é real, reflete a morte de dezenas de milhões de pessoas que se opunham ao Regime de Stálin e Mao Tse. Porém a mancha assombrosa do Comunismo não parou por aí, persiste até hoje em jovens ingênuos fiéis a utopia de Karl Marx. Em Cuba, o Regime ainda traz um atraso que mutila a cultura e a liberdade das pessoas e, a nossa volta, na Venezuela, na Bolívia e no Equador ensaia a sua volta.
Ainda hoje Marx é tido como um dos maiores pensadores das ciências sociais, fato que reflete o sonho de igualdade e a ingenuidade de jornalistas, escritores, políticos e jovens alienados no mundo inteiro. Por diversas vezes este teórico acerta a realidade vigente na sociedade, como no antagonismo de classes, na exploração da classe trabalhadora, e de mulheres e crianças. Os problemas sociais apontados por Marx ainda são marcantes, apesar de tentativas frustradas de alguns setores da política e da sociedade de diminuir esses impactos. Porém o aflitante nele é sua utopia que não perde a validade, não é esquecida quando deveria ser execrada pela história.
Poderão alguns ingênuos ainda acreditar que Marx iria se opor ao regime de Stalin e de Mao Tse-Tung, mas em várias de suas obras fica claro seus intentos de uma derrubada violenta das coisas existentes na sociedade. O Comunismo, para ele, deveria surgir e derrubar instituições, destruir tudo o que fora conseguido com trabalho e inteligência através dos anos.
O que vejo em Karl Marx é o sonho mais ingênuo já existente, perdendo apenas para o Anarquismo. Marx acredita na união de homens igualmente oprimidos e escravizados. A História pode nos mostrar tudo de monstruoso que tais pensamentos acarretaram. Só nos resta, agora, lutar contra os resquícios da alienação comunista que ainda sonham com os “ideais” de Marx. Na história contemporânea exemplos de ex-esquerdistas podem ser seguidos, como Mário Vargas Llosa e Paulo Francis. Ambos antes marxistas se viraram contra o Partido do Sangue. Filho do primeiro, Álvaro Vargas Llosa, em artigo publicado em Veja descreve saudosistas do comunismo como “Perfeito Idiota Latino-Americano”. Ele cita os Chefes de Estado da América Latina como os populistas Hugo Chavez e Evo Moralez como sendo os principais exemplos dessa espécie horrorosa. No Brasil, apesar do Presidente Luís Inácio da Silva ser, como eles, um populista, sua forma de governo está longe do comunismo. Ainda bem.
Esse espectro, o espectro do comunismo poderá viver para sempre na literatura, como um sonho ingênuo que não leva em conta as aspirações ambiciosas dos homens. “O poder corrompe”, esse jargão está longe de ser realmente entendido pelo povo. O poder e o pensamento comunista já levaram milhões à morte. Que fique agora o bom-senso, a liberdade, a qual Marx condena como sendo burguesa, mas ainda sim liberdade. Que entre para sempre para as prateleiras de Ficção esse escrito tão assombroso que é O Manifesto Comunista.

sábado, 18 de outubro de 2008

Algumas palavras de Reinaldo Azevedo

Um dos poucos membros da imprensa brasileira que se atrevem a questionar o governo Lula, Reinaldo Azevedo, em entrevista a Edney Silvestre, na Globo News, nos fala um pouco de literatura, Goethe, Graciliano Ramos e, principalemente, sobre seu livro O País dos Petralhas.

Como não poderia deixar de ser, o jornalista e blogueiro do portal da revista Veja nos fala da deturpação do conceito "direitista" e explica o nome de seu livro que, mesmo sendo lançado há pouco, já faz parte da lista dos mais vendidos.



sexta-feira, 17 de outubro de 2008

“Fumamos maconha!” - Um ataque ao falso moralismo

Não se assuste você também, os dois afirmam não fazer mais isso

“Sim, fumamos, mas não fazemos mais isso!”, era quase esse o grito de Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB), em entrevista à Folha de São Paulo, na quinta-feira, 17. Contra o falso moralismo e todas essas bobagens que afetam homens e mulheres destes tempos, a afirmação do uso de maconha deve ter caído como um raio na hipócrita sociedade carioca. Os simpatizantes do Bispo Crivella, agora, saem às ruas aos berros: “Nós sabíamos, é o fim dos tempos!”. As igrejas agora impulsionam a sociedade a fechar as portas aos dois candidatos, “o Rio rende-se às drogas”, lamentam todos.

Óbvio, os dois últimos acontecimentos são invencionices de minha cabeça alucinada. A afirmação de Gabeira não traz surpresa a ninguém, mas, quanto a Paes, afirma apenas para não ser visto como hipócrita pelos tantos loucos que agora aderem a nosso amado Gabeira. Alegro-me com ambos. Acredito que um dos principais elementos de oposição às drogas é a aceitação desta como um mal que não deve ser ignorado. Deve-se vê-la como um câncer em estado de metástase e, assim, buscar as melhores formas de combatê-la.

De qualquer modo, ambos dão um passo a frente. Mas renovo meus votos (não literalmente, é claro!) de apoio a Gabeira. Grande distância separa minha cidade do Rio de Janeiro, mas a eleição deste traria a mim esperançosos desejos de uma política desprovida de demagogia e outros males.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Do jornalismo e sua existência



Desde sua criação, o jornalismo sempre foi alvo de discussões sobre sua importância na sociedade; quais são seus compromissos, quais benefícios é capaz de proporcionar e, principalmente, que malefícios sua atividade pode acarretar quando se torna um meio de divulgação de ideologias, quando vira uma máquina em benefício de políticos, empresas, etc. Devido à sua importância social, faz-se necessária uma revisão constante da prática jornalística. Séculos após sua criação, o jornalismo hoje é responsável por construir através da notícia a história da humanidade.

O trabalho do dia-a-dia de todos os jornalistas é fazer do acontecimento a notícia, é dar luz às milhares de ações humanas que ocorrem diariamente. Seja na política, na cultura, nos esportes ou na economia, a atividade jornalística é responsável por levar a cada um dos homens e mulheres de um país quase todas as manifestações humanas. Guerras, crimes, novas músicas, descobertas científicas, tudo é compartilhado através do jornal impresso, da revista, da televisão, do rádio e da internet.

É essa atividade diária, a transformação dos fatos mais importantes de uma cidade, um estado ou país em notícia ou reportagem, que vai construindo através dos anos a história do povo. O slogan de um jornal interiorano reflete isso com exatidão: “Presente em todos os momentos, construindo a história de nossa cidade”. É a partir desses fundamentos, levando-se em consideração a importância do jornalismo à vida das pessoas, que a prática jornalística requer uma revisão periódica.

O trabalho de trazer à sociedade uma parcela ainda que grande dos acontecimentos, já que outra parte dos fatos diários se torna desconhecida ao público – devido à seleção jornalística do que é notícia ou não – levanta questões fundamentais à profissão. O que é notícia? Perguntariam-se então os leitores. A resposta não seria algo simples, pois um emaranhado de circunstâncias intrínsecas à atividade jornalística é responsável por tornar um fato em notícia. A primeira delas é que se torna difícil a assimilação e o conhecimento de todos os acontecimentos diários. Outro fator de suma importância é o tempo. O primeiro exemplo interage com o segundo, impedindo assim que o jornalista tenha o maior número de informações relativas àquele fato e, assim, sobre os acontecimentos daquele dia.

Vencer diariamente todos esses empecilhos inerentes à profissão, de levar ao leitor, aos ouvintes e aos telespectadores a notícia desprovida de erros, objetiva e imparcial, é o dever de todos os jornalistas, e de todos os órgãos de imprensa. O jornalismo é responsável pela história que será guardada sobre os homens. Torna-se hoje senso-comum vê-lo como os olhos da população, vigiando cada esfera da sociedade, tendo a própria população como motivo para sua existência e, assim, devendo lealdade somente a ela – este um dos princípios básicos da atividade. É esse trabalho, realizado diariamente por milhares de profissionais no mundo inteiro, que vai construindo e escrevendo todas as ações humanas por todos os tempos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Reflexos da ignorância

Tudo em paz no meio esportivo, não? Inexistem crises, principalmente no meio futebolístico. Problemas! Obvio que existem, mas são tão bobos...Ora uma briguinha de torcida ali, uma arquibancada ruindo acolá, uns juizinhos comprados por bananas, a falência de grandes clubes... Básico. Tudo muito tranqüilo no mundo “bola” dos entreteiners de chuteiras e dos cartolas boçais que produzem o espetáculo de bilhões, não é jornalistas?

Não é de hoje que se sussurra o escândalo no meio esportivo. Todo mundo sabe, mas ninguém faz nada. O Por quê? Ora, pra que denunciar a má gestão de clubes se o esporte não passa de um entretenimento de pouco estímulo intelectual. Ou pior, porque comprometer cartolas se eles nos trazem os milhões. Ou seja, o jornalismo esportivo no Brasil é ruim por que é parte integrante do fisiologismo. Não trabalha como uma instituição fiscalizatória para o bem estar da modalidade que cobre. É apenas mais uma indústria esportiva, interessada em vender esporte exatamente como é vendido.

Na verdade, sabe-se pouco de política esportiva. O que se conhece é a corrente de dólares que movimenta. Isso sim é muito bem divulgado pela mídia. O jornalismo adora divulgar o valor de mercado dos super jogadores que ajudaram a construir. Afinal, toda a história vendida neste segmentos são as de grandes futebolistas que vivem o céu ou inferno astral. A cada temporada, novas e velhas estrelas são construídas e desconstruídas pelas publicações do gênero. O pouco caso das editorias esportivas vão contra os interesses dos leitores da revista. Parece-me evidente que os torcedores não gostam de ver seus times indo a boca rota. A cada ano, um forte e tradicional clube vai a lona. E a mim é a cada dia mais claro que a falência das instituições esportivas se devem a má gestão e corrupção de múmias cartolas. Mas as mídias não fazem a costura fundamental entre política e esporte. Não investiga, mal apura, teme fontes. Usa toda a sua criatividade para retransmitir o mesmo.

É nada mais do que um espelho enfeitado refletindo a dor e a alegria da ignorância

sábado, 27 de setembro de 2008

Dois homens infelizes

HOMEM PRIMEIRO
O que há de beleza na palavra cantada, nestas tantas letras já lidas, gastas pelo tempo. O que vê de belo nas palavras de um homem, tal qual tantos outros que não fundam na terra nenhuma solidez, apenas o pranto aos olhos fechados. Diga o que há nestes homens que viveram antes de ti, e apenas deixaram papéis rabiscados, palavras gravadas? São todos homens comuns, tantos já morreram e deixaram apenas essa lembrança e esse seu olhar de desconsolo por não tê-los abraçado ou beijado suas mãos.

SEGUNDO HOMEM
Não há, pois, beleza em tantas vidas? Pergunto a ti, que vês neste pedaço de papel, senão a beleza de tanta vida sofrida e ainda sim amada? Ao ouvir estes sons, quase nada mais me interessa à vida ingrata destes tempos, somente a beleza de dormir e acordar ao som dos pássaros. Tantas paisagens parecem mortas aos olhos teus, não tens mais sonhos, nem sabores nesta vida?

HOMEM PRIMEIRO
Não digas bobagem, homens são o que são, paisagens são o que sempre foram: àqueles ronda à espreita a velha e triste face da morte, nunca os deixando esquecer dos infelizes desígnios humanos. A estas aceito a beleza, mas não mais são que paisagens, ainda que belas, mortas serão pelas mãos do próprio homem.

SEGUNDO
Infeliz é o homem como tu. Não vês que a beleza está em tudo. Veja os homens que deram vida a este chão, construíram tudo, muitos esqueceram o belo, isso é certo, mas tantos outros viram a pureza nos olhos da criança, arrepiaram-se ante as palavras de amor, deram vida ao mar, ao pescador. São todos estes velhos amantes da vida, felizes foram, nisso creio.

PRIMEIRO
Triste homem serás tu. Nada mais digo. Quando vires tamanho horror perante a morte, lembrarás de mim, sábio homem destes tempos. Saberás que ao homem nada mais vale senão sua própria salvação. Sonham com o dia que seu “deus” virá à Terra, a levar os homens bons que acreditam ser.

SEGUNDO
Tens razão em tudo isso, homem sabedor da alma humana. Mas ignora a beleza de tudo. Bons homens são os que vêem beleza num simples caderno, e por ele cantam as mais belas canções, felizes são os que viram o mar numa tarde de sábado, os que conheceram o amor de uma mulher e por ela deram a vida, esta que antes carecia de sentido. Os papéis que tenho em mãos trazem-me às vidas mais singelas, no entanto, mais profundas. Minhas palavras são pouco entendidas, pouco sei, e esse pouco ganhei dos homens de outrora, estes tantos que viram na morte uma amante e na vida um mar de poesia e felicidade.
* Esta é uma singela homenagem a Dorival Caymmi, mestre que se foi há pouco. Mas deve-se ser estendida a tantos outros homens que escreveram ou cantaram a pura e simples vida humana.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A arte que ficou no passado

Kafka, autor de Metamorfose, mesmo em um tempo em que
a arte ainda parecia-se com arte, sentia-se angustiado
ante a queda da beleza artística
“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.” Franz Kafka

Em minhas discussões sempre busquei definir o que era a arte pura, tal como deveria ser; as sensações que deveriam ser transmitidas: o elemento humano e seus desafios, suas misérias, seus anseios. Toda a vida humana é que encabeça a arte mais profunda, mais imprecisa e angustiante. O pensamento acima, de Kafka, é a que melhor define a pureza que deve conter a boa arte. Um livro, um filme, um quadro, todos devem trazer essa angústia, uma espécie de choque que liberte o homem de sua própria ignorância, de sua entediante condição humana. Há algum tempo, falei da arte como espelho do real, era nisso que pensava. Toda a vida humana pensada, cantada ou pintada; retratos de amores reais, de mortes, de sofrimentos. As palavras acima foram escritas há mais de 100 anos, em carta de Kafka a Oscar Pollak, naquela época a boa arte ainda podia ser vista, seja nas palavras de Tolstoi ou nas telas de Paul Cézanne.

O conceito de arte no ocidente define-se por todas as atividades humanas ligadas ao prazer, à beleza, às emoções e às idéias. Tudo que é do homem, em seus aspectos mais íntimos, é refletido pela arte. As manifestações que decorrem da necessidade material, isto é, do dinheiro, ou até mesmo de um desejo por fazer parte do belíssimo céu onde se encontram Mozart, da Vinci e Homero, são os responsáveis por demarcarem ou até mesmo denegrirem os conceitos de arte. Segundo Theodor Adorno, membro da Escola de Frankfurt, a qual criou os conceitos de “indústria cultural” e “cultura de massa”, baseada nos princípios de Karl Marx, toda a cultura de massa é narcisista, pois pretende glorificar a imagem do homem enquanto ser superior. Partindo dessa cultura de devoção aos homens, nota-se o grande apelo humano por se ver destituído de misérias e de sofrimentos.

Analisando a situação atual, distante de Kafka em um século e de Adorno em quase 50 anos, pode-se notar a indústria de cultura agora não mais como um fenômeno que deve ser impedido, mas como elemento já arraigado na sociedade e, por isso, pouco percebido. Atendendo aos apelos da imprensa e de ONGs por leitura, o governo acaba apoiando qualquer tipo de obra sem nenhum cunho educacional ou artístico, cria-se um emaranhado de pseudo-escritores, apóia-se uma falsa cultura. No cinema, também com o apoio governamental, criam-se longas-metragens, curtas-metragens, todos fracassos de bilheteria. O apelo mundial por cultura a torna desconexa e disforme.

A arte pura e profunda, a qual agrada intelectuais e é responsável por retratar com beleza os sentimentos humanos, parece perder-se em meio a esse mundo de apelo ao simples e comum. Os homens estão cada vez mais satisfeitos com o que lhes é mais belo, com seus retratos mais imaginários. Séries e novelas preenchem tempo e são objetos de lazer. A vida em sociedade, com isso, não requer mais a reflexão, recai-se no consolo utópico de se ver no corpo do modelo e nas intrigas de amores adolescentes. Resta aos poucos devotos de elementos artísticos mais profundos e reflexivos essa volta eterna ao passado, às palavras de um Goethe, às músicas de Strauss ou às telas de Van Gogh.

domingo, 21 de setembro de 2008

O traço de perspectiva

Jean Michel Basquiat

Nada faz muito sentido, hoje. Uma seqüência de frustrações abate desejos desorganizados por medos crônicos. Belas músicas me levam ao monstro irrefletido no espelho. A Medusa assustadora encontrada no escuro das profundezas te consome como um azarado condenado aos mais perversos castigos. O consensual confunde. Uma razão insana exige a reclusão quando se quer dividir a dor. O desejo do fim galopa em círculos destruindo possibilidades.

O dia é calmo, nublado, mas frio. Eu, um moribundo consumido pelas mais radicais das doenças; a impotência. As velhas perspectivas entontecem. Oscilam entre o raso demais e a extrema altitude. Nada é sólido. Qualquer caminho é minado, incerto, vazio. A força que resta serve para falar a dor, descreve-la. Não há perceptível resistência

Ocorre-me escapar, mas não consigo. Difícil expressar, mas a dor me atrai. Ela me remete a uma realidade dilacerante, mas menos falsa. Não me aproximo de ninguém, não quero ouvir mais nada. O outro contaminaria o sangue puro que jorra ao qual quero afogar.

Os olhos se fecham como um recurso de recusa. O sono torna-se um meio para a expulsa de pensamentos destrutivos. Tem o propósito de despertar para a praticidade do cotidiano. Não o quero. Ainda alimento a esperança da solidão para a sobrevivência. Eis um traço de perspectiva, hoje.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Homenagem ao atleta

O Brasil ficou na vigésima terceira posição das Olimpíadas de Pequim. Mesmo não tendo o apoio e nem o investimento necessário os atletas brasileiros foram até o oriente e trouxeram medalhas, mostraram ao país o poder de superação. A seguir segue um vídeo sobre as conquistas brasileiras nas Olimpíadas.

sábado, 30 de agosto de 2008

Um voto mais honesto

A mulher refletia há alguns minutos. Parada ela olhava para cima, logo depois descia, avaliava seu sapato novo, seu jeans que acabara de sair da loja. Sua vida havia mudado. Era nisso que pensava. Sem dúvida essas eleições foram as que deram os melhores frutos a ela. Lembrava da cesta básica, da TV - que não era 29 polegadas, mas podia transmitir a novela – havia também a bicicleta de seu filho, o emprego de sua filha. Junto a isso o liquidificador, as prestações atrasadas da geladeira nova, as contas pagas. Ela sorriu ao lembrar das onze coisas que conseguira arrancar de onze, dos doze candidatos a vereador de sua cidade.

Dona Maria, como era conhecida em seu bairro, era uma mulher honesta, trabalhava de doméstica para poder sustentar seus nove filhos. Filhos que colaboraram muito na conquista de todos esses presentes acima. A mulher estava feliz com tudo isso, mas algo a incomodava muito: o décimo segundo candidato, esse não a subornou. Bem que ela havia tentado, foi em sua casa, expôs os 11 votos que ele conseguiria se desse a ela um fogão novo, mas nada. Sem desistir diminuiu a exigência, o gás do mês, isso ele não poderia negar, porém o homem recusou novamente. Irritada, a mulher se pôs a xingar, armou um barraco, sentiu-se ofendida, não adiantou. Ela pensava nisso, ali, de frente para aquela máquina com teclas de 0 a 9, com um “confirma”, um “corrige” e um “branco”.

Mudando o apoio de uma perna para outra, a mulher, voltou ao passado, bem antes de ter se vendido a políticos inescrupulosos e normais. Ela lembrou de sua vida sofrida, da fome de seus filhos, do quanto seu marido trabalha para colocar menos de um salário mínimo dentro de casa. Ela viu a cena, uma lágrima invadiu seu rosto seco e coberto de rugas de idade e de sofrimento. Não queria só aqueles presentes momentâneos, queria uma vida e isso aqueles onze ordinários não prometeram a ela. Era o momento de se decidir, a fila para a votação já estava grande, todos chiavam.

No caminho para casa veio cheia de si, estava orgulhosa de ser como é. A mulher ansiava pelo resultado, tinha quase certeza que seu 12° homem iria vencer. Ele sim, pensava ela, não tentou me comprar com presentes fugazes, esse é honesto. E dona Maria viveu feliz. Naquelas eleições acertou, o 12°, o que não a subornou, venceu. Uma pena que isso não tenha sido um sinal de moralidade, o fato foi que durante 4 anos o homem nada fez, apenas uns desviozinhos aqui, um suborninho ali. Mas dona Maria nem viu.


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pra inglês ver



O Chelsea anunciou a contratação de Robinho no seu site oficial, um dia depois teve que retira-lo em virtude da proibição e a insistência do Real Madrid em não libera-lo. Um tiro na água. O clube londrino antecipou a "CONTRATAÇÃO" mais cara da história (40 milhões de euros ou 90 milhões de reais) e recebeu um sonoro não do time espanhol. O quase certo se tornou duvidoso depois que o time madrilenho proibiu a saída do seu maior astro e ainda exigiiu a sua retratação à imprensa espanhola e mundial. Robinho não sai do Real Madrid.
E a novela envolvendo o craque brasileiro não terminou com um final feliz para os ingleses. É certo que os dirigentes espanhóis não gostaram nada da atitude do clube inglês ao antecipar-se aos fatos e colocar ontem, na loja online do clube, a camiseta de Robinho à venda.
Uma atitude no minimo precipitada do Chelsea em anunciar a contratação de Robinho, um time que já tem várias estrelas e segue firme na ponta do campeonato inglês jamais poderia ter cometido uma gafe dessa , nunca poderia ser vítima de uma empolgação e até mesmo um desequilibrio, um time que tem estrutura e um time capaz de vencer todos os torneios que disputa , além de ter um poderio financeiro e até político na Europa jamais poderia se submeter a esse tipo de atitude. Uma vergonha para um time da grandeza do Chelsea.
Hoje mesmo todo os jornais espanhóis mostravam em suas capas a recusa do time madrilhenho à proposta do Chelsea.
Segundo os dois jornais, o atacante, além de ver frustrado o seu desejo de atuar no futebol inglês no time dirigido pelo técnico Luiz Felipe Scolari, terá de pedir perdão ao clube e à torcida por ter dado declarações à imprensa de que desejava deixar o Real Madrid. No último fim de semana, ele chegou a ser vaiado e xingado de mercenário pela torcida do Real, durante a decisão da Supercopa da Espanha diante do Valência.
O "As" afirma que o técnico alemão Bernd Schuster foi o principal responsável pela permanência de Robinho no Real Madrid. Segundo o diário, Schuster prometeu que reconduzirá o atacante ao time. As palavras do presidente são reforçadas por Predrag Mijatovic, diretor de esportes do Real Madrid. O Chelsea foi da euforia a frustação, infeliz a atitude, paga-se o preço disso agora.

Drenthe meio campista do Real Madrid disse que o relacionamento dos jogadores com Robinho não foi machado, cuntinua o mesmo

Acompanhe no site do jornal As:

http://http://www.as.com/futbol/articulo/drenthe-robinho-tiene-pedirnos-perdon/dasftb/20080829dasdasftb_8/Tes

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O documentário

O século XX conheceu vertiginosa evolução científica e tecnológica nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Se foi fácil batizar o século XVIII como o "Século das Luzes" ou o século XIX como o "Século da Razão", não haverá a mesma facilidade para encontrar a denominação mais adequada para o século XX. Afinal, foi o século das guerras mundiais, da bomba atômica, do automóvel, da mulher, das minorias, do avião, das viagens espaciais, da internacionalização da economia, do comunismo, do fim dos impérios colonialistas, da eletrônica, dos transplantes, da indústria cultural, da clonagem, da internet...
Estamos disponibilizando nesse blog, o documentário: Nós que aqui estamos por vós esperamos, é uma série que fala sobre o nosso século XX , O século das inovações , de guerras mas também transformações, aqui disponiblizaremos um trecho mais curto do documentário, pois é muito extenso, mas vale a pena curtir essa obra de arte

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Quem morreu?


"Que cara é essa, morreu alguém?". Dessa maneira "delicada", Dunga começou a entrevista coletiva de imprensa após a conquista da medalha de bronze pelo time de futebol do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Até o próprio Dunga confirmou isso:"Aqui dentro tinha esquema. Comigo não tem. Acabei com o privilégio, e isso causa revolta", disse o treinador, mostrando claramente que tentou dar nova cara ao relacionamento entre comissão técnica, jogadores e imprensa desde que assumiu o "trono" de técnico da seleção em 2006.De fato Dunga não permitiu que o time do Brasil se tornasse uma espécie de figurinha carimbada da Globo, como havia acontecido com o time do Brasil de Parreira na Copa da Alemanha.
Só que, naquela ocasião, Dunga atuava como comentarista pelo BandSports. Da cabine do estádio em Frankfurt, viu o time de Parreira ser aniquilado por Zidane e Cia. E percebeu, na pele, a dificuldade que a imprensa "comum" tinha em conseguir alguma coisa com aquela seleção.Quando assumiu o comando brasileiro, Dunga fez mais ou menos o jogo que acabou tornando-o figura abominável pela mídia em 1994. Sem regalias, sério, fechado, jogando duro. Assim começou a ser implantado o "estilo Dunga" na equipe do Brasil.Só que, diferentemente de 1994, a seleção não ganhou o caneco, ou o ouro. Amargou o terceiro lugar, e com isso a paciência da imprensa com Dunga se esvaiu.
Suas atitudes, que condiziam com aquilo que se considera bom jornalismo, acabaram se tornando sinônimo de antipatia e podem acabar por destruir o trabalho que começou a ser feito por ele (goste ou não goste, ele conquistou uma Copa América e um bronze olímpico).Mas agora o buraco é mais embaixo. Dunga começou a atacar uma seara complicada. Envolve não apenas a mídia como um todo, mas uma das mais poderosas parceiras comerciais da CBF, que é a TV Globo. Ela é quem muitas vezes tira alguns clubes da pindaíba, a pedido da própria CBF.Será que Dunga está com a razão?
Já escrevi em outros meios de comunicação que Dunga era a última opção para dirigir a seleção brasileira depois da saída de Pareira , os resultados estão ai , é uma triste realidade.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Adriano, o homem retratado puramente por Marguerite Yourcenar

Nunca em toda minha vida havia lido uma escritora que escrevesse como homem. As sensações descritas por Clarice Lispector, Virginia Wolf e outras tantas escritoras eram para mim confusas, demasiado abstratas para que entendesse. As mulheres que conhecia falavam de sentimentos obscuros, intrínsecos à alma feminina. Havia tentado por vezes, entretanto, não compreendia. Foi em um final de tarde, temeroso quanto ao livro em minhas mãos, que decidi tentar. A belga que carregava não partilhava dos mesmos conceitos de Virgínia, tampouco das mesmas angústias de Clarice. Uma mulher ambiciosa, Marguerite logo me chamou a atenção. O livro eram memórias, não dela, mas de um homem. Absorvida durante décadas na obstinação de retratar, não fiel, mas artisticamente a vida de um dos maiores homens da história humana, Marguerite Yourcenar concluiu uma das maiores obras já feitas na literatura mundial. Memórias de Adriano, o imperador, entra em recantos da alma, do corpo e do universo de um homem.

Durante anos, visitei escritores dedicados à vida dos homens e seus desígnios mais puros ou mais mundanos. Dostoievski deu-me prazeres com seus homens sofredores, desprovidos de alegrias pagãs, Flaubert remetia-me a tantos não sabedores da vida, meros insatisfeitos, infelizes humanos. Outros, como Goethe, haviam me levado ao amor ou à busca obstinada por sabedoria, a qual alucinadamente levou Fausto a vender sua alma a Mefistófeles. Entretanto, nenhum deles retratou como Marguerite os lamentos, as alegrias distintas e não conhecidas, a eterna e terna luta do homem em busca de tudo o que há de sagrado à vida humana. Mais de 1800 anos nos separam de um dos maiores Imperadores Romanos, todavia, através da obra, sentimo-nos ali, amigos, íntimos do Sumo Pontífice romano.

A ambição, as conquistas, os devaneios, tantos elementos permeiam a vida do homem, e todos eles preenchem as memórias de Adriano. Misto de pesquisas, com a obstinação de que tudo seja um relato pessoal, Marguerite faz com que o próprio imperador nos conte sua vida. Entramos na vida de Adriano através de si mesmo. É ele quem vai nos contar suas dores, seus anseios, seus medos e seus amores. O casamento infeliz, seus amantes, o amor tão sensato e puro por Antínoo, tudo nos é contado. É possível ouvir e ver este homem, em seus amores pela vida, em seu diálogo com a morte. Nada nos é jogado, sem fundamento, desprovido de sentido.

Marguerite Yourcenar, mais que uma escritora, é a criadora de uma obra distinta de tudo o mais já feito. As palavras, as verdades colocadas na boca de um imperador, distante dela em 25 gerações, enchem-nos de um prazer desconhecido em outras obras já lidas. As palavras proferidas por Adriano nos remetem a um mundo passado e ainda quase existente. Podemos voltar ao passado, enxergar Adriano e entender a vida dos homens pelos olhos maravilhosos de uma grande escritora.

Quando surge alve - verde imponente


O navio "Colombo" acaba de chegar da Europa lotado de passageiros e de esperanças. Entre todos aqueles que desembarcaram e, pela primeira vez pisaram o solo nacional, estava Caetano Tozzi, o primeiro dentre os italianos a se registrar nos serviços brasileiros de imigração. Assim como as centenas de milhares de seus patrícios, Caetano trazia uma enorme vontade de trabalhar. E ela seria mesmo necessária. A abolição da escravatura andava a passos largos e já se sabia que, cedo ou tarde, ela seria assinada, o que viria a acontecer seis anos depois. O País precisaria, então, de uma nova mão-de-obra e nada melhor que esta fosse a dos europeus, sobretudo a dos italianos que chegavam ao Brasil trazidos em virtude das notícias sobre fertilidade de nosso solo.
Nos quase 50 anos em que viveu no Brasil, este imigrante pôde mostrar o espírito aberto às coisas de nosso País, sem deixar de lado o amor pela velha, querida e então já distante Itália. 15 anos antes de morrer, teve o orgulho de poder ser um dos fundadores do Palestra Itália. Ele não foi o único, é verdade, mas foi um deles. Era o início de um marco na história do futebol brasileiro e mundial.
Em 1914, o hoje nacionalmente conhecido Clube Espéria se chamava "Societá dei Canottieri" (Sociedade dos Remadores). Lá, se jogava a bocha e, como dizia o próprio nome, se praticava o remo. Porém, o futebol começava a despertar paixões, já que há muito era praticado na Itália com o nome de "calcio". Quatro italianos – Luigi Cervo, Ezequiel De Simone, Luigi Emanuelle Marzo e Vicenzo Ragognetti – eram os mais animados dentre aqueles que moravam no então totalmente italiano bairro do Brás. Eles se encantaram com a visita do Torino e do Pro Vercelli, times do futebol italiano, e resolveram que os filhos da Itália e os filhos dos filhos da Itália também precisavam de uma equipe de futebol. Nasce o Palestra!!
Já são 94 anos de história, anos de glória e muitos títulos , nomes de grande jogadores também atuaram com a camisa do grande Palestra , quem não se lembra de Luis Pereira , Oberdan Catani, Leivinha , Evair , César Sampaio , Zinho, Marcos, o Marcão do Palestra Itália , para alguns um "santo" e Ademir da Guia o maior ídolo palestrino de todos os tempos.
E assim segue o Palmeiras, o maior Campeão do Século XX e parabéns a todos os palmeirenses, hoje completamos 94 anos de amor e paixão, uma paixão que já existia mesmo antes de nós nascermos...

domingo, 24 de agosto de 2008

O Tiro


Um país bronzeado

Somos apaixonados e estamos bronzeados pelo sonho do esporte brasileiro. Um Brasil bronzeado , de gente bronzeada. Ao todo foram oito medalhas de bronze nessa última Olimpíada, com um desempenho até regular , conseguimos o melhor feito da história depois de Atlatanta 96. O sonho de conquista dez medalhas de bronze não foi atingido, mas ao menos podemos orgulhar desse feito, oito medalhas bronzeadas não é para qualquer um. É difícil classificar em ordem de importância as medalhas olímpicas brasileiras. Tivemos muitos Bronzes emocionantes ao longo de toda a história dos Jogos Olímpicos, conquistados por atletas diferenciados, persistentes, determinados e moderados. Atletas que ajudaram o Brasil a se consolidar como uma das nações fortes na briga bronzeada. Atletas que, com terceiros lugares inesquecíveis, disseram ao mundo que somos um país que sabe calcular, sabe manter a estratégia, sabe ser contido na hora certa, sabe ser Bronze de verdade.
O que dizer de um terceiro lugar conquistado inesperadamente, quando todos já haviam perdido as esperanças? Existem coisas na vida que não conseguimos explicar com o rigor da ciência e, por falta de definição melhor, não precisamos nos envergonhar de dizer que fomos abençoados com um milagre bronzeado, Vanderlei Cordeiro de Lima que o diga né?
Quem desempenho dos nossos atletas , que luta e que persistência , parabéns ao Carlos Arthur Nuzman , parabéns ao COB que nos presentiaram e incentivaram de verdade todos os esportes sem exceção aqui no Brasil, tivemos algumas decepções eu admito, o vôlei de quadra feminino deixou escapar o bronze e conquistou a medalha de ouro diante das norte - americanas , César Cielo nos levou ao gostinho doce na conquista do bronze nos cinquenta metros livre , mas ao gosto amargo na conquista da medalha dourada nos cinquenta metros livre com direito a recorde olímpico. E o que dizer de Maurren Maggi , por pouco não conquista o bronze , ficou no quase!!
Somos contra aqui a todos os atletas que fecham os olhos para as dificuldades do esporte em nosso pais e conquistaram a medalha de ouro. Sem falar que ganhar ouro é muito mais fácil do que ficar em terceiro, já que pelo bronze, não basta ser o melhor, é preciso controlar seu desempenho para não deslizar e acabar fora do pódio - ou pior: com a prata.
Seja como for , o Brasil chegou com chave de bronze essas Olimpíadas de Pequim!! Ironias a parte , o tiro da semana vai para o nosso Brasil Bronzeado que mais poderia ser um torniquete né?

Esse texto é uma adaptação de um blog chamado Bronze Brasil

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O torniquete da semana


Uma derrota imerecida

Final de jogo, o Brasil perde para os Estados Unidos no futebol feminino. Um a zero para as americanas, as meninas brasileiras conquistam a prata na final das olimpíadas. Uma derrota dificil triste e imerecida. Como lutam essas garotas do Brasil , como jogaram na final contra as norte- americanas, elas certamente mereciam um resultado mais justo, uma derrota que não reflete o que vimos nessa final, meninas que batalham até o fim, até o apito final do árbitro. Mas , uma coisa pra mim é inexplicável por que a mulher em nosso país ainda está, de certa maneira, à margem do futebol? Como entender a convivência entre o sucesso da Seleção Brasileira de Futebol Feminino na última Olimpíada e a realidade desfavorável da prática do esporte bretão pelas mulheres em nosso país?
Poderíamos apresentar um breve histórico do futebol feminino em nosso país desde os primeiros shoots até os gramados da Grécia atual. Deixemos essa tarefa para momento mais propício. A nossa preocupação aqui é apenas analisar em que contextos ocorreram às participações das mulheres frente a este fenômeno cultural chamado futebol. Os papéis sociais determinados para homens e mulheres são distintos no mundo predominantemente patriarcal em que vivemos. Em cada época, foi determinado um papel sócio-esportivo para as mulheres, ou seja, determinadas expressões da corporalidade foram classificadas nas opções como "femininas" e "não-femininas". E o futebol, na terra de "Pelé", ficou no rol da segunda opção.
Altos e baixos mesmo na presença de tais limitações legais para a prática do futebol, as mulheres lutaram diariamente contra tais restrições, conseguindo com isso ultrapassar as fronteiras do que seriam "esportes femininos" e "esportes não-femininos". Mesmo sabendo que o futebol ainda é uma prática de lazer ligada diretamente à figura masculina em nosso país, percebemos que meninas e mulheres estão cada vez mais praticando o futebol.
Apesar de entendermos que o futebol feminino em nosso país ainda vive de altos e baixos, principalmente o chamado "futebol profissional" (falta de campeonatos, de torneios, equipes que se formam e rapidamente se extinguem por falta de apoio, etc.), acreditamos, que o mesmo já conquistou uma boa parte das mulheres. Atualmente para as mulheres brasileiras sua participação ultrapassa o entendimento de que as mesmas tenham apenas um papel de relevância secundária, sendo coadjuvantes, como a mãe que lava os uniformes dos meninos, a irmã que limpa as chuteiras, a namorada que prepara os canapés e serve as bebidas, etc. Elas agora se afirmam tendo um papel sócio-esportivo no mesmo nível dos homens brasileiros. Não igual, pois o direito à diferença articula um caminho para uma convivência mais saudável entre os sexos e para a construção de um gênero humano que se componha como uma unidade na diversidade.
Então, não entendendo como ainda , depois , de vários resultados e até expressivos dessas garotas que valem ouro literalmente, não tem o reconhecimento devido. Essas meninas são e devem ser olhadas com mais carinho, devem ter o reconhecimento merecido, campeonatos oficiais , devem ter mais investimento, mais incentivo. O torniquete da semana são essas meninas , que mesmo na derrota mostraram ao mundo e ao Brasil como perder com dignidade , mostraram a todos que merecem sim o nosso torniquete da semana.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Lembranças de um amor nos tempos do cólera



A vida solitária não era digna. Tampouco a união eterna, junto a outra alma desconhecida lhe parecia uma saída. Num canto ermo de sua casa, o velho triste sucumbia às horas de um vazio que o afligia há anos. Pensava nas alegrias que não vivera, nas insanidades acarretadas pela paixão não correspondida. O belo rosto de sua amada, os olhos atentos, a voz prazenteira da jovem esbelta, tudo ainda vivo, como se a visse ali mesmo, horas antes.
O homem digeria a vida, não a jogara fora de todo, mas haviam sensações ainda mal conhecidas. Tivera amantes, estas de diversos sabores, providas de manias distintas, por vezes alegres. Entretanto, não amara outro corpo, outra voz que não fosse a da menina que conhecera em sua adolescência. Sentado, de olhos fechados, refletia sobre as horas vindouras. Já vivera tanto, vira lugares que encheriam de prazer qualquer homem vazio, sentira sabores, bebidas diversas, comidas distintas. Refletia sobre as horas, sobre a amada, sobre o futuro. Beirava a morte, em corpo, não em espírito. Sentia suas forças, sonhava com o amor que a esperava em outra sala, esta não tão distante de suas aspirações mais puras.
A mulher chorava, lembrava dos dias vividos com seu homem. O corpo estendido; olhos fechados, tantas vezes já vistos, mas que agora eram eternos. Na sala outros pêsames, outros choros, entre velas acesas. Já era notícia. A vida em conjunto agora tornara-se dor; a solidão já ensaiava naquele peito antigo. Viver sozinha, tal como o jovem que a amou toda vida. As rugas do tempo, os olhos agora tristes, mal viram entrar o homem de agora. Entre homens, mulheres, o amor era visto. O velho entrou, encarregou-se de tudo, das pompas, do enterro, tal como conhecido. Nela, um amor não sabido, talvez adormecido no meio século passado. Nele, o amor como sempre: vivo, sentido.
A morte acontecida mal refreou tais intentos. Tinham pouco tempo, talvez horas. Para a mulher, algo estranho, nunca sentido. Para o homem, o começo de um amor aceso por décadas, nunca esquecido. Hora de viver. Lado a lado, uma paixão antiga. O navio que levava ao longe, que vagava, mostrava ao mundo um sentimento bem-quisto: um amor a vagar, por todo o tempo.
  • O texto é baseado em O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Marquez.

Apenas uma lembrança


Alguém se lembra do seriado JK que foi veiculado na Rede Globo de Televisão? O sucesso do seriado demonstra aos jovens de hoje que a busca de um passado que foi mitificado e hoje é apenas uma crítica da mediocridade do presente.
O seriado global atiçou nas novas gerações a nostalgia do Brasil que não viveram. Jovens – meninos e meninas – que vão além da tediosa pobreza da telinha e se dão ao trabalho de escavar a história, não raro interpelam os sobreviventes do desenvolvimentismo com suas angústias e esperanças. Perguntam: Juscelino foi “tudo aquilo”? A busca de um passado idealizado e mitificado, em sua maciça e massificante perplexidade, é a crítica ingênua de um presente atolado na mediocridade e na estagnação.
Nietzsche dizia que nos “bons narradores e maus explicadores” há freqüentemente uma segurança e coerência, num contraste francamente ridículo com a inaptidão de seu (próprio) pensamento. Assim, sua cultura parece num dado instante excelente e elevada, mas lamentavelmente baixa no instante seguinte. Juscelino e suas circunstâncias foram tudo aquilo e mais alguma coisa , esse mais alguma coisa é o resíduo que a história não revela aos gênios de baixaria, ventríloquos nativo, sempre empenhados na cruzada contra o que chamam de populismo. Seja como for, no período desenvolvimentista foram travadas as batalhas decisivas pela consolidação do processo de industrialização. O “desenvolvimentismo” como projeto de um capitalismo nacional cumpriu o seu destino através do Plano de Metas. Muito ao contrário do que pregam os caipiras cosmopolitas. O projeto juscelinista integrou a economia brasileira ao vigoroso movimento de internacionalização do capitalismo do pós-guerra. A análise do Plano de Metas explicita a concepção de um bloco integrado de investimentos na infra-estrutura, no setor de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Isso não deve impedir, porém, a crítica da política econômica juscelinista , mas ela não é possível sem o conhecimento das circunstâncias históricas que permitiram os 50 anos em cinco. Os resultados, ainda que desiguais, não foram ruins, comparada a qualquer outro período do capitalismo, anterior ou posterior, a era desenvolvimentista apresentou desempenho muito superior em termos de taxas de crescimento do PIB, de criação de empregos, de aumentos dos salários reais e de ampliação dos direitos sociais e econômicos. A moda, então, entre os economistas, sociólogos e cientistas políticos, eram as teorias do desenvolvimento, os modelos de crescimento econômico e o estudo das técnicas de programação e de planejamento.
Foi um momento impar no desenvolvimento do Brasil que merece ser destacado, mas que infelizmente para os jovens não ultrapassam as páginas dos livros , uma pena. Pra que vê o Brasil hoje não tem noção do que foi esse período, infelicidade nossa, jovens, que nos deparamos apenas um governo antiquado, rústico para dizer a verdade , um governo que ainda vive momentos provincias , momentos de uma colônia.

Moda "retrô" na política latina

Que tal resgatarmos o Kichute e o espartilho, companheiros?



Quem disse que a política não pode seguir as tendências da moda? Vivemos um cenário meio... retrô. Chique, não? Na passarela latina, Hugo Chavez esbanja estilo com narizinho empinado para a arrogância em um discurso de estatização. Na Bolívia, o cafona Evo Morales provoca a elite intelectual e econômica que, babando de sede por poder e grana, reinventa o look separatista. E no Brasil, o lulinha quer criar uma nova “estatalzinha” para deixar manca outra estatal; a Petrobras. Bem vindos, amigos, à moda nacionalista

Visando os bilhões do pré sal na bacia de Santos, o grande braço comunista do governo quer tirar da Petrobras a responsabilidade pela extração do petróleo no país. Em mais um discurso sísmico e frenético, lulinha se declarou preocupado com o destino da bofunfa que a nova descoberta pode gerar. A estatal brasileira tem capital aberto, ou seja, investidor estrangeiro na parada. O governo não quer dividir o dinheiro com eles, alegando que toda a nova grana vai para a educação, saúde, segurança...

Sei não, mas isso cheira à vontade governista de encher os cofres públicos e fazer a manutenção de politicazinhas torpes. Se tivesse vontade de fazer movimentos sérios para a educação e saúde o governo já teria feito. Afinal, este ano, mais uma vez, batemos novo recorde em arrecadações. E no que avançamos com os bilhões a mais arrecadados pelo leão para um ensino de qualidade? Nada. Duplicaram a dívida pública e fizeram costuras polítcas criando loteamentos para cargos públicos com novos ministérios e secretarias inacreditáveis.

O preocupante nesta nova tendência lulo petista é na economia. Ora, estas idéias só mancham nossas boas relações com o capital estrangeiro, principal fundamento para a nossa atual condição econômica. Investidores de grandes grupos econômicos podem olhar desconfiados, acreditando num retrocesso nas políticas brasileiras e mandar o dinheiro investido aqui para países com verniz mais responsável e atual.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Do you want tickets?


Uma vergonha o que está acontecendo em Pequim nesses Jogos Olimpícos, que tipo de organização é essa onde cambistas conseguem vender de modo tão escancarado os ingressos para as principais provas do evento? Só um exemplo desse desrespeito com o torcedor e o expectador , foi o preço que os cambistas estava cobrando para uma prova de Michael Phelps, o grande astro desses jogos, para assistir uma de suas provas o preço do ingresso era de R$ 50,00 e se trnsformou em segundos em R$ 1200,00 , simplesmente uma vergonha. As bolsas a tiracolo entregam de cara que não faltam ingressos nas mãos desses revendedores de entradas, atividade ilícita na China, mas para a qual os policiais a poucos metros faziam vistas grossas, afinal, estavam mais preocupados com os terroristas que podem alvejar Pequim. Do you want tickets?

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A preparação de Cielo


Amigos e acompanhantes desse blog , que alegria foi essa última semana com a vitória e a inédita medalha de ouro de Cielo na natação para o Brasil . A seguir segue um texto muito bacana e muito bem escrito sobre a preparação de Cielo antes das Olimpíadas. O texto foi escrito pela jornalista Dorrit Harazim da Revista Piauí que foi até os Estados Unidos e ficou ali 7 dias acompanhando a rotina diária do nadador mais rápido do mundo.
A seguir está o começo do texto e o link para os interessados em ler esse texto, é um pouco extenso mais vale a pena.

ROTINA DE 15 MIL BRAÇADAS

A preparação do velocista César Cielo para a sua primeira Olimpíada, em meio de uma safra de recordes , e a entrada em cena do "doping de armário"

Cesar Cielo Filho não dormiu bem na noite de 17 de fevereiro. O hotel da cadeia Best Value em Columbia, no estado do Missouri, no fundão da América, não era lá essas coisas e, para piorar, ele havia sonhado que um australiano batera o recorde mundial na sua especialidade, os 50 metros nado livre. Despertou com um chute na porta do quarto. – Nossa! O que é que está acontecendo? – perguntou, ainda sonado. Era Brett Hawke, seu técnico na Universidade de Auburn, no Alabama, que irrompera no quarto à força porque a porta estava emperrada. Sem intróitos, Hawke respondeu: – O Eamon bateu o recorde mundial: 21.5. Tradução: em Sydney, do outro lado do mundo, um australiano de 22 anos, Eamon Sullivan, havia pulverizado o recorde mundial da prova dos 50 metros nado livre, a mais veloz da natação, com o tempo de 21 segundos e 56 centésimos. O pesadelo de Cesar Cielo Filho não fora premonição nem coisa de vidente. Devido à diferença de fuso horário com a Austrália, a notícia tinha alcançado o técnico de madrugada e, pelo celular, ele tratou de repassá-la de imediato a seus pupilos. Cielo ouviu a mensagem em meio a um sono profundo e acabou imaginando ter sido um sonho.

leia mais

http://http//www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=733

sábado, 16 de agosto de 2008

O que significa o futebol


Futebol é uma paixão nacional, assim como o carnaval, o samba e outras manifestações artísticas. Assim dizer que o futebol é uma arte me parece uma frase bem surrada e que continua atual e é impressionante a repercussão que os fatos ligados a esse esporte tem na alma do nosso povo. Essa força, porém, não se reflete em estímulos culturais. É raro encontrar alguma literatura de qualidade que fale do esporte. O cinema, quase não trata do tema. Teatro, então, alguém já ouviu falar? Parece que são dois mundos antagônicos. Sempre gostei de esportes, particularmente, de futebol. E sempre gostei de cultura: cinema, literatura , etc. Na minha cabeça, não há contradição nisso. “Esporte é cultura” já dizia a antiga propaganda governamental. Os fatos do dia a dia, porém, demonstram que a maioria das pessoas não pensa assim. Uma dicotomia entre as duas áreas foi estabelecida e influencia a imagem que uma tem da outra. Grande parcela da intelectualidade brasileira considera o futebol, assim como outras manifestações populares de nossa cultura, fator de alienação do nosso povo, quando, na verdade, ele representa um fator de identidade. No mesmo momento que um paulista vibra com a vitória de seu time, no Morumbi, por exemplo, um gaúcho grita gol no Beira- Rio. A unidade nacional é reforçada e um espírito de nação é revigorado e passado às novas gerações. Preocupante é o exagero, é tratá-lo como a “pátria de chuteiras”, capaz de resolver os problemas do país. A história do desenvolvimento do futebol no Brasil já renderia bons filmes ou livros. Ele foi introduzido oficialmente no país por Charles Miller, filho de um inglês e de uma brasileira, no ano de 1894. Inicialmente, era praticado por uma elite, em clubes sofisticados, e assistido por uma “seleta” platéia da alta burguesia paulista e carioca. Só em meados dos anos vinte admitiu-se a participação de negros nos clubes. Esse fato pode ser considerado como o marco inicial do processo de popularização do esporte e muito importante para a causa negra. Houve debates calorosos, com colocações muito racistas por parte da maioria da imprensa, considerando-os inferiores. Foram esses jogadores, com seu talento e títulos conquistados, que calaram o racismo vigente. Outra história merecedora de melhor registro é a final da Copa de 50, perdida para o Uruguai, por 2x1. A euforia do país e, principalmente, da cidade do Rio de Janeiro, na semana que antecedeu o jogo, a exploração política da decisão do campeonato, não tendo sido dado o direito de descanso aos jogadores da seleção, a todo o momento incomodados por prefeitos, governadores e seus discursos demagógicos, a multidão presente (calculada em duzentas mil pessoas) e o silêncio pungente de toda a nação, merecem um livro, um conto ou roteiro, que dignifiquem aquele momento histórico do nosso esporte. E isso nunca foi feito. Mas qual seria o motivo para tanta indiferença de cineastas e escritores para esse esporte? Muitas hipóteses podem ser levantadas. Nossos principais cineastas e literatos, por mais que queiram esconder, nasceram em famílias da alta burguesia, onde o futebol passou a ser considerado um esporte de pobres e negros, distante da sua realidade pessoal e das suas idealizações de realizar uma literatura e cinema cultos, de inspiração européia. Existe um receio de que seus trabalhos sejam chamados de folclóricos, pecha que atingem todos aqueles que ousam mostrar o que é nosso, com seus defeitos, excessos e virtudes, com nossas caras marrons e negras. Outra parte de nossa intelectualidade faz restrições ao futebol por razões ideológicas. Na realidade, prendendo-se mais às conseqüências do vertiginoso crescimento da importância do esporte do que nele em si mesmo. A exploração política das nossas grandes vitórias causa indignação em qualquer pessoa verdadeiramente democrata. Nosso país tem um histórico de quinhentos anos de exploração, massacre de índios e escravidão. O futebol só firmou-se como esporte nacional a partir dos anos trinta e quarenta do século passado, tendo o reconhecimento mundial do seu valor na década de cinqüenta. Não se pode culpar as manifestações populares pelas mazelas nacionais. Creio que a nossa famigerada elite dominante, como sempre, tem tentado, e geralmente conseguido, seqüestrar a essência dessas paixões populares e depois, fechá-la ao acesso do verdadeiro povo. Basta verificar o preço dos ingressos para desfiles carnavalescos e jogos de futebol, inacessíveis aos mais pobres. Os muitos detratores do futebol, ingenuamente, acreditam que o Brasil seria melhor sem ele. Por essa lógica, vamos radicalizar e imaginar o país sem futebol, sem carnaval, sem festas. Tudo bem, não seria o fim do mundo, mas, esse fato em si não nos faria melhores. Diversos países do mundo não têm futebol forte, não tem festas famosas e são muito pobres, outros países são muito ricos e tem várias modalidades esportivas fortes e muitas opções de lazer populares. O futebol bem jogado, para mim, é uma bela forma de arte. Assistir aos grandes clássicos, vendo o colorido das torcidas rivais, é como um espetáculo de ópera. Neste momento difícil do mundo, em que a poluição mercantilista ameaça todas formas de expressão humana, principalmente o mais popular, é imprescindível preservá-lo, pois, não seria o esporte o único a se livrar dos interesses do capital. A defesa do futebol é a defesa do espetáculo popular. Aqueles que amam os estádios como local de congraçamento, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, devem participar deste resgate, pois, acima de tudo, o futebol é a arte do povo. No Brasil um garoto ao nascer ganha nome, religião e um time de futebol. Mal começa a caminhar e já está chutando uma bola com o uniforme do clube normalmente do pai ou do avô. Essa identificação já vem do berço e é um traço marcante de nossa terra. É esse futebol arte que nos distingue de todo o resto do mundo, é o futebol do drible, floreio, chapéus, “dribles – da – vaca”, da bicicleta, toques de calcanhar. Futebol mágico, Esporte artístico, isso é o futebol e nesse requisito ninguém ganha do Brasil.

A Olimpíada de mentira


"O governo chinês, os intelectuais e a população em geral, todos nós esperamos que a Olimpíada seja um sucesso"

"Esperamos ver o resultado da Olimpíada de Seul, que estimularia a abertura política e a melhora nos direitos humanos e ajudaria no progresso da mudança estrutural do sistema político"

"Mas há também uma força contrária a tal desejo, que é o grupo de elite atualmente no poder. Eles são uma força negativa que está empurrando a Olimpíada para ser mais como a Olimpíada de Berlim em 1936 "

As Olimpíadas de Pequim começaram no dia oito de agosto. Uma grande festa do esporte e um grande espetáculo foi visto por bilhões de pessoas no mundo. Mas, ao contrário do que muitos pensam essas Olimpíadas nos faz voltar no tempo e lembrar por alguns instantes o ano de 1936.
Berlim é o palco, Hitler se orgulha em trazer o maior evento esportivo para o pais germânico, era a oportunidade de mostrar ao mundo as maravilhas da Alemanha nacional-socialista e provar a superioridade da raça ariana. O estádio olímpico foi ampliado para 110 mil lugares e 8 novas instalações esportivas foram construídas. A cobertura jornalística nunca foi tão grande e a televisão entrava em cena. Era só uma máscara onde escondia o que realmente acontecia naquele país. Milhares de judeus eram mortos nos campos de concentração e sofriram grande perseguição em toda a Europa , enquanto os alemães e principalmente os seus principais lideres tentam mostrar ao mundo que tudo estava muito belo e perfeito.
Ano 2008, Pequim apresenta ao mundo a "maior" e melhor Olimpíada que o planeta já viu, será?

Vamos aos fatos:

-Um investimento de mais de 42 bilhões de dólares. Os jogos mais caros da história. Em Atenas 2004 foram 16 bilhões .

- Com esse dinheiro a China gastou com infra – estrutura , estádios novos e um projeto para limpar ou minimizar a poluição na capital chinesa.

- Em outros lugares esse alto custo teria criado uma polêmica com grandes proporções mundiais , mas não na China. Num país onde as informações nem sempre é acessível, grande parte das pessoas parece não saber quanto está sendo gasto.

-Segundo o Comitê da China a cidade gastou 1,9 bilhões de dólares em 12 novos estádios e reformando outros. Pequim também gastou bilhões em infra estrutura como um novo terminal de aeroporto e mais linhas de metrô.

Esses são apenas alguns pontos que precisam ser esclarecidos pelo governo chinês , pois não me contento com o esclarecimento de muitos organizadores que contra argumentam dizendo que
muitos desses projetos não tem relação alguma com as olimpíadas e que as reformas teriam sido realizadas de qualquer forma.
Mas, é estranho essa questão, primeiro porque não vejo na China uma herança para a história das Olimpíadas, que herança irão deixar? O estádio Ninho do Pássaro? O Cubo D’água?
Talvez sirva como sede de alguma Mundial, quem sabe , mas que herança vão deixam para seus habitantes? É estranho olhar o investimento final desses jogos , em qualquer outro país isso já geraria uma polêmica em relação aos custos , porque só na China isso não acontece?
Em Londres já existe um forte debate sobre a previsão dos gastos nos Jogos Olímpicos em 2012 , quase doze bilhões de reais. Mas na China, houve pouco debate sobre isso, e isso num país onde mais de 135 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar e vinte e cinco centavos por dia.
Nas ruas, as pessoas parecem ter pouca idéia do que exatamente está acontecendo e muitos nem tem acesso a essas estruturas.
A União Soviética com a ditadura bolchevique assombrou e surpreendeu o mundo. Agora, Pequim supera tudo que já foi feito. Deixa em todos a afirmação de perplexidade refletida na expressão exaltadora, mas surpreendente: "Não acreditávamos que a China pudesse apresentar tanta beleza com tanta concentração". Mas realizou. Apesar do entusiasmo, da beleza, da grandiosidade que o mundo viu em Moscou, a União Soviética não resistiu à oposição do mundo, se desintegrou. Com a China isso dificilmente acontecerá, mas que herança deixará para o mundo? Que imagem quer passar? Falta a concessão da liberdade interna. A China atravessa a PRESUNÇÃO da Liberdade.
A capital de um mundo (Pequim) projeta internacionalmente um país (a China) que transmitiu para 185 países essa festa da mente, do coração e da esperança, mas usa da segregação o ponto forte do seu governo, tanto é que o Tibet ainda sofre com essa intervenção.
A China não é um país democrático e sim ditatorial que usa do medo e da violência para manter a ordem, Mas que ordem? pessoas passam fome, são exploradas e se você acredita em Papai Noel ou em Coelhinho da Páscoa também acreditará nessa Olimpíada, uma Olimpíada de MENTIRA.